A Avenida Paulista, em São Paulo, recebeu manifestações em apoio aos candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em dois domingos consecutivos. Os eventos ocorreram nos dias 11 e 18 de outubro, respectivamente, durante a campanha para o segundo turno das eleições, marcado para o próximo domingo (25).
As manifestações reuniram apoiadores, lideranças políticas e representantes de diferentes organizações. Fotografias, vídeos e estimativas de público dos dois eventos também foram divulgados nas redes sociais, acompanhados de manifestações favoráveis e críticas aos candidatos.
Além da mobilização eleitoral, os atos tiveram registros de incidentes e declarações que provocaram repercussão entre representantes dos dois grupos políticos.
Ato de Flávio Bolsonaro reuniu cerca de 72 mil pessoas, aponta levantamento
Realizada no domingo (18), a manifestação em apoio a Flávio Bolsonaro foi chamada de “Bloquinho do 22” e contou com a participação do candidato, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito Ricardo Nunes (MDB), do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, entre outros aliados.
O evento teve início pela manhã, com trios elétricos, músicas de campanha e concentração de manifestantes em diferentes trechos da Avenida Paulista.
De acordo com levantamento do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, em parceria com a organização More in Common Brasil, aproximadamente 71,9 mil pessoas participaram do ato no momento de maior concentração, registrado às 12h20.
A estimativa apresenta margem de erro de 12%, o que corresponde a um público entre 63,3 mil e 80,5 mil participantes. A contagem foi realizada por meio de fotografias aéreas analisadas com ferramentas de inteligência artificial.
O portal Poder360 realizou um levantamento próprio e estimou aproximadamente 76,2 mil participantes. Segundo o veículo, a manifestação ocupou seis quarteirões da avenida.
Durante seu discurso, Flávio fez críticas ao presidente Lula e afirmou que abordaria questões relacionadas ao governo federal no debate promovido pela Band, realizado na noite do mesmo domingo.
Após a manifestação, o candidato divulgou fotografias e vídeos do evento em suas redes sociais, acompanhados de mensagens sobre a participação dos apoiadores.
Manifestação de Lula ocorreu em 11 de outubro
Uma semana antes, no domingo (11), Lula participou da Marcha pela Democracia, manifestação realizada na mesma avenida, com concentração inicial na região do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
O ato reuniu movimentos sociais, organizações estudantis, sindicatos, torcidas organizadas e comunidades de fãs de artistas nacionais e internacionais, incluindo Beyoncé, BTS, Lady Gaga e Taylor Swift.
Também participaram lideranças políticas ligadas à candidatura de Lula, entre elas o vice-presidente Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Guilherme Boulos, Simone Tebet e Marina Silva.
Entre os temas apresentados durante a mobilização estavam a defesa da democracia, a redução da jornada de trabalho, o fim da escala de trabalho 6×1 e a reeleição do presidente.
Em seu discurso, Lula abordou a importância da participação dos eleitores no segundo turno e pediu mobilização para reduzir a abstenção.
Estimativas não permitem comparação direta entre os atos
A quantidade de participantes das duas manifestações passou a ser discutida nas redes sociais após a divulgação de imagens e estimativas de público.
No caso da Marcha pela Democracia, realizada em 11 de outubro, perfis ligados à campanha de Lula divulgaram a estimativa de aproximadamente 1 milhão de participantes.
O número, entretanto, não foi confirmado por uma contagem independente com metodologia equivalente à utilizada no ato de Flávio Bolsonaro.
O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a More in Common informaram que não conseguiram realizar o levantamento no evento de Lula por falta de autorização para o sobrevoo de drones na região durante a presença do presidente.
As restrições para esse tipo de operação envolvem procedimentos de segurança relacionados à presença presidencial.
O Poder360, que também realizou levantamentos sobre as manifestações, informou que o ato de Lula ocupou sete quarteirões da Paulista, enquanto o de Flávio se estendeu por seis.
A extensão ocupada, contudo, não permite determinar isoladamente o número de participantes, pois a densidade de público pode variar entre os trechos.
Dessa forma, os levantamentos disponíveis não permitem estabelecer, com base em contagens independentes comparáveis, qual das duas manifestações reuniu mais pessoas.
Míssil inflável com mensagem a Trump provoca críticas
Durante a manifestação de Flávio Bolsonaro, no domingo (18), um grupo de participantes exibiu um objeto inflável em formato de míssil com a inscrição em inglês “Trump nuke Brazil”.
A expressão pode ser traduzida como “Trump, ataque o Brasil com armas nucleares”, em referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Fotografias e vídeos do objeto circularam nas redes sociais e motivaram críticas de integrantes do governo federal e parlamentares de esquerda.
O ministro Guilherme Boulos classificou a cena como “inacreditável”. As deputadas federais Erika Hilton e Sâmia Bomfim, do PSOL, também criticaram a mensagem exibida pelos manifestantes.
Não foi identificada confirmação de que a produção ou a exibição do objeto tenha sido autorizada pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Antes dos discursos, integrantes da organização do evento chegaram a solicitar que bandeiras de outros países fossem recolhidas.
Até as primeiras reportagens publicadas sobre o episódio, a campanha do candidato do PL não havia apresentado manifestação específica a respeito do objeto inflável.
Ocorrências foram relatadas após as manifestações
Os dois domingos também tiveram registros de incidentes nas proximidades dos atos.
Após a manifestação em apoio a Lula, em 11 de outubro, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Militar registrou episódios de tumulto, pichações e depredação durante a dispersão dos participantes.
Na ocasião, o Metrô de São Paulo informou que, até o início daquela noite, não havia registros de vandalismo ou danos nas estações da região.
Já no domingo (18), durante a dispersão do ato de Flávio Bolsonaro, um casal que utilizava adesivos de Lula relatou ter sido hostilizado por manifestantes na Avenida Paulista.
O episódio foi registrado por uma equipe do portal JOTA, que também relatou tentativas de impedir as filmagens e interferências no equipamento utilizado pela reportagem.
No mesmo dia, vídeos divulgados nas redes sociais mostraram discussões e confrontos físicos entre passageiros nas estações Butantã, da Linha 4-Amarela, e Pinheiros, da Linha 9-Esmeralda.
As concessionárias responsáveis pelos serviços classificaram os episódios como desentendimentos entre passageiros. Não houve confirmação oficial de motivação política, e as ocorrências relatadas não resultaram em registros de feridos ou boletins de ocorrência.
Publicações nas redes sociais repercutem os dois eventos
Após as manifestações, apoiadores dos dois candidatos compartilharam fotografias, vídeos e informações sobre a participação do público na Avenida Paulista.
Flávio Bolsonaro publicou registros do ato do dia 18 e agradeceu a presença dos manifestantes. O deputado Nikolas Ferreira também utilizou suas redes sociais para comparar aspectos das duas mobilizações, incluindo as condições das instalações do Metrô após os eventos.
Em publicações relacionadas ao ato do dia 11, apoiadores de Lula divulgaram imagens da Marcha pela Democracia e destacaram a participação de movimentos sociais e organizações civis.
O episódio do míssil inflável também foi abordado por representantes políticos ligados ao presidente, que criticaram a mensagem exibida durante a manifestação de Flávio.
A circulação dos conteúdos ocorreu paralelamente à divulgação de diferentes estimativas de público, sem que houvesse uma medição independente equivalente para os dois eventos.
As manifestações aconteceram a duas semanas e a uma semana, respectivamente, da votação do segundo turno. Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência da República no próximo domingo, 25 de outubro.


