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Anne Wilians defende educação cidadã e aponta falta de confiança nas instituições como obstáculo ao acesso a direitos

Em artigo publicado no Observatório do Terceiro Setor, presidente do Instituto Nelson Wilians destaca que a justiça social depende não apenas de garantias legais, mas também de informação, participação cidadã e confiança nas instituições

A advogada e presidente do Instituto Nelson Wilians (INW), Anne Wilians, defende que a garantia de direitos previstos na legislação brasileira precisa estar acompanhada de ações que permitam à população exercê-los na prática. Em artigo publicado no Observatório do Terceiro Setor, a especialista em gestão da inovação social chama atenção para a importância da educação cidadã e da confiança nas instituições na construção de uma sociedade mais justa.

Intitulado “Justiça social e cultura da legalidade: por que confiança é parte do acesso a direitos?”, o artigo foi publicado em 21 de fevereiro de 2026, em referência ao Dia Mundial da Justiça Social, celebrado em 20 de fevereiro.

Na análise, Anne argumenta que o reconhecimento legal de direitos fundamentais, como saúde, educação, assistência social e acesso à Justiça, representa um avanço importante, mas não garante, isoladamente, que esses serviços e mecanismos de proteção estejam efetivamente ao alcance de todos os brasileiros.

“Justiça social se consolida quando o direito sai do papel”, afirma a advogada no artigo.

Segundo a presidente do INW, a dificuldade para compreender o funcionamento das instituições, identificar os próprios direitos e encontrar orientação adequada pode ampliar a distância entre a população e os mecanismos destinados à sua proteção.

Pesquisa revela desconfiança entre jovens brasileiros

A reflexão apresentada por Anne Wilians encontra respaldo em indicadores sobre a relação dos brasileiros com as instituições políticas.

A pesquisa Juventudes: Um Desafio Pendente, realizada pela Fundação Friedrich Ebert (FES), ouviu 2.024 jovens brasileiros, com idades entre 15 e 35 anos, e revelou índices expressivos de desconfiança institucional.

Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados apresentaram níveis baixos ou muito baixos de confiança nos partidos políticos. Em relação à Presidência da República e ao gabinete do governo, o percentual foi de 45%, enquanto o Poder Legislativo registrou 42%.

Os dados foram coletados em 2024 e apresentados no relatório brasileiro divulgado em 2025.

Para Anne, o cenário reforça a necessidade de aproximar as instituições da sociedade, principalmente por meio de iniciativas educativas que estimulem o conhecimento sobre direitos, deveres e participação democrática.

A advogada avalia que a confiança institucional, associada à informação e à orientação adequada, constitui um elemento importante para que os cidadãos se sintam seguros ao buscar os direitos assegurados pela legislação.

Avanços sociais não eliminam desafios

No artigo, Anne também destaca os avanços registrados nos indicadores de pobreza do país, sem deixar de reconhecer os desafios relacionados à desigualdade social.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a proporção da população brasileira em situação de pobreza caiu de 27,3%, em 2023, para 23,1%, em 2024. No mesmo período, a extrema pobreza recuou de 4,4% para 3,5%.

Apesar dos resultados, a presidente do Instituto Nelson Wilians ressalta que a justiça social não deve ser avaliada exclusivamente a partir de indicadores econômicos. Para ela, também é necessário observar se a população dispõe de condições para compreender, reivindicar e exercer seus direitos.

Instituto Nelson Wilians atua na formação cidadã

Fundado por Anne Wilians, o Instituto Nelson Wilians desenvolve iniciativas voltadas à educação para a cidadania, ao fortalecimento da cultura da legalidade e à promoção de direitos.

Entre as ações está o projeto Cidadaniar, desenvolvido em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre direitos humanos, democracia e participação social, oferecendo ferramentas educativas para jovens, educadores, lideranças comunitárias e organizações da sociedade civil.

Em 2025, a parceria promoveu, em São Paulo, o evento Diálogos Cidadaniar, que reuniu especialistas para discutir estratégias de formação cidadã. Na ocasião, também foram apresentados materiais educativos destinados a apoiar atividades de educação em direitos humanos.

Na avaliação de Anne, organizações do terceiro setor desempenham uma função importante ao aproximar comunidades de instituições públicas e facilitar o acesso a informações sobre direitos.

A advogada sustenta que a construção de uma cultura da legalidade exige um trabalho contínuo de educação, cooperação e fortalecimento da confiança pública.

A proposta, segundo a reflexão apresentada no artigo, é que o conhecimento sobre direitos deixe de ser apenas um conteúdo teórico e passe a integrar as decisões e experiências cotidianas da população.

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