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Incêndios florestais destroem plantações, atingem casas e deixam moradores em alerta em Itacoatiara

Queimadas avançam há semanas na zona rural do município, provocam prejuízos a agricultores e ameaçam comunidades; moradores relatam dificuldades para conter as chamas

Os incêndios florestais que atingem a zona rural de Itacoatiara, a 176 quilômetros de Manaus, continuam preocupando moradores e produtores rurais. Há semanas, o avanço das chamas tem provocado a destruição de plantações, atingido imóveis e colocado em risco famílias que vivem em comunidades do município. Além dos prejuízos materiais, a fumaça intensa tem causado problemas respiratórios e comprometido a rotina da população.

Entre as localidades afetadas estão os ramais da Paz, do Jericó e do Minério. No Ramal da Paz, localizado às margens da rodovia AM-010, agricultores relatam que o fogo consumiu áreas de cultivo e alcançou residências. Diante da situação, moradores organizaram revezamentos para vigiar as propriedades e tentar impedir que as chamas se aproximem de outras casas.

Segundo informações divulgadas pela Rede Amazônica, a agricultora Priscila Santos de Lima relatou que os moradores procuraram ajuda, mas não receberam atendimento a tempo e precisaram se mobilizar para proteger suas propriedades.

A gravidade da situação também foi relatada pelo agricultor Carlos Leônidas, de 82 anos, que chegou a desmaiar enquanto tentava impedir que o incêndio alcançasse a casa da filha. Ele contou que passou horas molhando a vegetação nas proximidades da estrada até não conseguir mais continuar.

A fumaça provocada pelas queimadas agrava ainda mais o cenário. Moradores relatam dificuldades para dormir, desconforto respiratório e preocupação com a saúde de crianças e idosos, especialmente diante da permanência de focos de incêndio nas proximidades das comunidades.

Incêndios atingem unidade de conservação

Além dos prejuízos às famílias, os incêndios também têm causado danos ambientais. Na região do Incra 2, próxima ao distrito de Novo Remanso, um levantamento divulgado em 12 de outubro apontou a destruição de 589,78 hectares de vegetação.

O fogo também alcançou trechos do Refúgio de Vida Silvestre do Sauim-de-Coleira, unidade de conservação destinada à proteção de espécies da fauna e da flora amazônicas.

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, da Defesa Civil de Itacoatiara e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), com apoio da Polícia Militar, realizaram ações de combate e fiscalização na região.

Durante as operações, foram apreendidos equipamentos associados ao desmatamento ilegal, incluindo roçadeiras. Estruturas utilizadas na produção clandestina de carvão também foram inutilizadas.

Suspeitas de incêndios criminosos

As possíveis causas dos incêndios estão entre as preocupações das autoridades. No Ramal do Minério, há suspeitas de que o fogo tenha relação com atividades ilegais de produção de carvão. Durante uma visita à região, uma equipe da Rede Amazônica encontrou sacas do produto abandonadas às margens da estrada.

Conforme informações divulgadas pela Semma em 12 de outubro, mais de dez pessoas suspeitas de envolvimento com queimadas ilegais em diferentes pontos do município haviam sido identificadas e notificadas. Na ocasião, os responsáveis pelo incêndio no Ramal do Minério ainda não haviam sido identificados.

Em setembro, a Prefeitura de Itacoatiara também mobilizou uma força-tarefa na região do Rio Arari, onde as chamas se aproximaram de casas e plantações nas comunidades Ebenézer e Livramento.

A estiagem, a vegetação seca e as dificuldades de acesso às áreas atingidas estão entre os fatores que tornam o combate mais complexo.

Crise das queimadas afeta o Amazonas

Os incêndios em Itacoatiara fazem parte de uma crise ambiental mais ampla que atinge o Amazonas. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram crescimento de 116% nos focos de calor registrados no estado entre janeiro e 12 de outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.

A situação levou à mobilização de equipes estaduais e federais, com o reforço de brigadistas, aeronaves e ações de fiscalização para combater as queimadas.

Nesta segunda-feira (19), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) também suspendeu atividades presenciais nas unidades de Manaus e Itacoatiara, durante o dia e até a manhã de terça-feira (20), em razão da deterioração da qualidade do ar provocada pela fumaça.

Enquanto as operações de combate continuam no estado, famílias de Itacoatiara enfrentam as consequências dos incêndios, com prejuízos à produção agrícola, danos ambientais e receio de que novos focos ameacem suas propriedades.

*Com informações do G1 Amazonas

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