A pesca e a comercialização do tambaqui continuarão autorizadas no Amazonas, apesar de o peixe integrar a lista oficial de espécies ameaçadas de extinção. A informação foi confirmada pelo ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, em entrevista à Rede Amazônica, na quinta-feira (22).
O tambaqui (Colossoma macropomum) foi classificado como “Vulnerável” (VU) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em setembro de 2023. A categoria também aparece na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em 2026.
De acordo com avaliações do ICMBio, a população da espécie apresenta tendência de declínio, com projeção de redução de 43,4% ao longo de três gerações. Entre as principais ameaças estão a pressão pesqueira, especialmente em áreas sem proteção, e as alterações ambientais que afetam os rios da Amazônia.
Governo prepara plano de recuperação
Segundo o ministro, a classificação do tambaqui como espécie vulnerável não determina a proibição imediata da pesca ou da venda. A proposta do governo federal é desenvolver medidas de conservação que permitam recuperar os estoques naturais sem interromper a atividade econômica ligada ao pescado.
Nesta semana, o Comitê Permanente de Gestão da Bacia Norte se reúne em Santarém, no Pará, para discutir e aprovar um plano de recuperação da espécie. A iniciativa busca conciliar a preservação do tambaqui com a continuidade da pesca na região amazônica.
Importância econômica e alimentar
Um dos peixes mais consumidos na Amazônia, o tambaqui tem papel importante no abastecimento dos mercados e na renda de pescadores, comerciantes e comunidades ribeirinhas. Além do consumo regional, o pescado também é comercializado em outros estados brasileiros e no mercado internacional.
Quando a espécie foi incluída na categoria “Vulnerável”, especialistas ressaltaram que a medida deveria servir como um alerta para a necessidade de conservação. A classificação indica preocupação com a redução da população, mas não representa, por si só, a suspensão imediata da atividade pesqueira.


