A reta final do segundo turno das eleições de 2026 foi marcada por denúncias de violência política em diferentes regiões do Brasil. Entre sábado (24) e a manhã desta segunda-feira (26), foram registrados episódios que deixaram mortos e feridos, incluindo o atropelamento de uma mulher durante a espera por uma carreata em Minas Gerais, o ataque a uma vereadora do PT, a morte de um engenheiro após espancamento em Santos (SP) e agressões coletivas registradas em vídeo em Goiás.
As ocorrências vieram à tona durante as mobilizações relacionadas à disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente neste domingo (25), e Flávio Bolsonaro (PL). Em alguns casos, imagens que circulam nas redes sociais mostram confrontos e agressões. Em outros, as informações foram relatadas por testemunhas e ainda dependem de confirmação pelas autoridades.
Embora parte das denúncias aponte possível motivação política, a autoria e as circunstâncias de diferentes episódios permaneciam sob investigação até a manhã desta segunda-feira. Por isso, a relação entre as agressões e o posicionamento político das pessoas envolvidas ainda não está comprovada em todos os casos.
Mulher morre atropelada durante espera por carreata em Minas Gerais
Em Vargem Alegre, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, Elisabete Martins Chaves, de 54 anos, morreu na noite de sábado (24), após ser atropelada enquanto aguardava a passagem de uma carreata em apoio à reeleição de Lula.
Segundo os relatos, o grupo esperava veículos que vinham do município de Entre Folhas, nas proximidades do portal de entrada da cidade, quando um automóvel atingiu pessoas que estavam no local. Com o impacto, Elisabete foi arremessada e não resistiu aos ferimentos.
Testemunhas e moradores atribuíram o atropelamento a um suposto apoiador de Flávio Bolsonaro. No entanto, a identificação do motorista, assim como a eventual intenção de atingir os participantes da manifestação, depende de apuração oficial.
Vereadora do PT é ferida durante ataque a carreata
Também em Minas Gerais, a vereadora Iara Pimentel (PT) ficou ferida após um ataque à carreata de apoiadores de Lula, na noite de sábado, em Montes Claros, no norte do estado.
A ocorrência foi registrada na Avenida Sanitária. Imagens divulgadas do episódio mostram homens arremessando pedras, garrafas e outros objetos contra o carro de som em que estavam a parlamentar e outros participantes. Alguns dos envolvidos vestiam roupas associadas à campanha de Flávio Bolsonaro.
Iara sofreu um ferimento próximo ao olho, com sangramento, e recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Uma criança também teria ficado ferida, com relatos de fratura em um dos braços.
O deputado federal Paulo Guedes (PT-MG), que participava da carreata, denunciou as agressões. A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar o caso e identificar os responsáveis.
A vereadora recebeu atendimento hospitalar e prestou depoimento. Informações que circularam nas redes sociais afirmando que ela havia morrido são falsas.
Engenheiro morre após espancamento em Santos
Em Santos, no litoral de São Paulo, o engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, teve a morte encefálica confirmada no domingo (25), após ser espancado na madrugada de sábado (24).
Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, ligada a uma manifestação de apoio à reeleição de Lula. Em determinado momento, afastou-se do grupo para ir ao banheiro. Como não retornou, amigos começaram a procurá-lo e o encontraram desacordado nas proximidades do cruzamento da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas.
Ele foi socorrido e levado à Santa Casa de Santos, onde permaneceu internado em estado gravíssimo.
Familiares e pessoas próximas levantaram a suspeita de que a agressão possa ter sido motivada por questões políticas e homofóbicas. Até a manhã desta segunda-feira, porém, a autoria e a motivação do crime ainda não haviam sido esclarecidas pela Polícia Civil. Os responsáveis pela agressão não tinham sido identificados.
O caso provocou manifestações de solidariedade à vítima e cobranças por investigação e responsabilização dos envolvidos.
Vídeo mostra agressão coletiva em Goiás
Em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, vídeos divulgados nas redes sociais mostram um homem sendo espancado por um grupo de pessoas durante uma confusão registrada na madrugada desta segunda-feira (26), após a divulgação do resultado das eleições.
Nas imagens, o homem aparece caído no chão enquanto recebe golpes. Outras pessoas tentam intervir, mas também são atacadas. Algumas das pessoas que aparecem nos registros vestem camisetas amarelas.
A circulação dos vídeos provocou denúncias de que a agressão teria sido praticada por apoiadores de Flávio Bolsonaro contra um eleitor de Lula. Até o período relatado, entretanto, as circunstâncias do episódio e a motivação política apontada nas publicações ainda dependiam de confirmação oficial. Também não havia confirmação de mortes relacionadas a essa ocorrência.
Motociclista fica ferido durante comemoração em Florianópolis
Em Florianópolis, Santa Catarina, vídeos publicados na noite de domingo mostram as consequências de uma ocorrência envolvendo uma viatura policial e um motociclista durante as comemorações pela vitória de Lula.
Uma testemunha afirmou que policiais militares teriam lançado deliberadamente a viatura contra o motociclista, que participava da celebração. Segundo o relato, o homem sofreu fraturas graves.
A acusação ainda precisava ser esclarecida pelas autoridades. Até a manhã desta segunda-feira, não havia confirmação oficial de morte relacionada ao episódio.
Mulher é ferida com faca no Terminal Tietê
Outro caso foi registrado na tarde de domingo (25), no Terminal Rodoviário do Tietê, na capital paulista. De acordo com testemunhas, um homem se aproximou de um grupo de mulheres gritando “Bolsonaro 22”.
Após ser confrontado, ele teria sacado uma faca e ferido uma das mulheres na mão. A vítima estava acompanhada da namorada e de amigas.
Os relatos levantaram suspeitas de motivação política e homofóbica. O agressor fugiu, e a identificação do responsável, assim como as circunstâncias do ataque, dependia de investigação.
Levantamento já apontava 134 casos de violência política
Os episódios ocorreram em um contexto de aumento dos registros de violência política durante a campanha eleitoral. Um levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global identificou 134 casos entre 16 de agosto e 4 de outubro de 2026, período correspondente à campanha do primeiro turno.
O número superou os 121 registros contabilizados no mesmo período eleitoral de 2022. Entre os casos identificados em 2026, estavam 64 ameaças, 33 episódios de ofensas, 19 agressões físicas, 11 atentados e dois assassinatos. Mulheres representaram 52,2% das vítimas identificadas.
Os dados se referem ao período anterior ao segundo turno e, portanto, não incluem as ocorrências relatadas entre sábado (24) e esta segunda-feira (26).
A Polícia Federal informou, em balanço parcial divulgado no domingo (25), que continuava apurando possíveis crimes eleitorais em diferentes estados. O levantamento da corporação, no entanto, não representa uma contagem abrangente de todos os episódios de violência política registrados no país.
Casos dependem de esclarecimento das autoridades
As ocorrências registradas em Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Santa Catarina apresentam diferentes circunstâncias e níveis de confirmação. Enquanto alguns episódios resultaram em mortes, outros envolvem feridos e denúncias cuja autoria ou motivação ainda não foi estabelecida oficialmente.
A apuração dos fatos será necessária para esclarecer as circunstâncias de cada ocorrência, identificar os responsáveis e verificar se houve motivação política ou outras razões para os ataques. Até que as investigações avancem, acusações feitas por testemunhas e publicações nas redes sociais devem ser tratadas como relatos ainda sujeitos a confirmação.
*Com informações da Revista Fórum
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