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Mundo – Congresso peruano retira imunidade do ex-presidente Pedro Castillo

O Congresso do Peru votou, nesta segunda-feira, 12/12, por retirar a imunidade do ex-presidente Pedro Castillo, autorizando a Suprema Corte a acusá-lo formalmente pelo crime de rebelião. Castillo teve prisão temporária de sete dias decretada após tentativa de golpe de Estado na última quarta-feira, 7/12.

Em meio à crise política, os protestos violentos continuam no país. No domingo, 11/12, dois adolescentes morreram e quatro pessoas ficaram feridas durante uma manifestação no país.

O ato pedia novas eleições gerais após a saída de Castillo do poder. Nos últimos dias, centenas de pessoas têm ido às ruas protestar a favor do fechamento do Congresso e pela libertação do ex-presidente.

Ainda nesta segunda, a nova presidente do país, Dina Boluarte, anunciou que vai pedir ao congresso que adiante as próximas eleições presidenciais.

Ex-presidente

Pedro Castillo Terrones nasceu na região de Cajamarca em 1969. Ele tem mestrado em psicologia educacional e começou a lecionar na província de Chota, em Cajamarca, em 1995.

Até 2017, fez parte do partido Peru Possível, fundado pelo ex-presidente Alejandro Toledo, que está preso nos Estados Unidos, após o judiciário do Peru ordenar, em 2017, prisão preventiva por suposto envolvimento em subornos com a Odebrecht. As acusações foram negadas por Toledo.

Atualmente, Castillo é filiado do Peru Livre e, como sindicalista, foi um dos líderes em uma greve de professores durante o governo de Pedro Pablo Kuczynski.

O presidente foi acusado de ser aliado de membros da polêmica organização Movadef, indicada pela polícia como braço político do grupo de guerrilha peruano, algo que eles negam.

Castillo se definiu durante sua campanha como um lutador social e disse nas eleições que terminaria os conflitos sociais. O secretário-geral do Peru Livre havia dito anteriormente que ele representa a posição mais antiga da esquerda peruana.

Em julho de 2021, Castillo foi declarado presidente após uma demorada apuração. Mesmo sendo um candidato que não tinha muito capital político, ganhou visibilidade nos debates. Ao final da disputa, venceu a ex-presidente peruana Keiko Fujimori.

Porém, no início de dezembro de 2022, o Congresso o acusou de ter “incapacidade moral permanente” para governar, pela terceira vez desde que assumiu o cargo.

Durante a sessão, também foi aprovada moção para convidar o presidente a exercer a sua defesa exatamente em 7 de dezembro, dia em que o documento que poderia depor o político seria posto em votação.

Essa foi a terceira tentativa de removê-lo do cargo e a quinta de um presidente em exercício nos últimos cinco anos.

Além disso, Castillo tem várias investigações fiscais abertas por supostos crimes de corrupção cometidos durante seu governo. A Promotoria está investigando o ex-presidente como o suposto chefe de uma organização criminosa supostamente “entrincheirada” no Estado peruano para, entre outras coisas, conceder licitações e concessões de obras públicas de maneira direcionada.

Castillo e sua defesa, formada pelos advogados Benji Espinoza e Eduardo Pachas, negaram repetidamente as acusações. O político nega as acusações que envolvem também sua família e seu círculo mais próximo de colaboradores.

Em meio a tudo isso, Castillo foi obrigado a reconfigurar seu gabinete quatro vezes em apenas seis meses, gerando uma crise e instabilidade política no país.


  • Fonte: Agencia Brasil
  • Foto: Jhonel Rodriguez Robles / Presidência do Peru
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