O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início à esperada reforma ministerial com a substituição da ministra da Saúde, Nísia Trindade, pelo atual ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
A mudança foi confirmada na noite desta terça-feira (25) por meio de uma nota oficial do governo. Padilha assumirá a pasta em 6 de março, enquanto Nísia permanecerá no cargo até a transição ser concluída. Lula agradeceu à ministra pelo trabalho e dedicação à frente do ministério.
Pouco depois do anúncio, a equipe de reportagem flagrou Nísia Trindade ao telefone em seu gabinete no Ministério da Saúde. Primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a chefiar o Ministério da Saúde, Nísia teve papel fundamental na linha de frente do combate à pandemia de Covid-19. Socióloga e mestre em Ciência Política, ela ocupava o comando da pasta desde o início do terceiro mandato de Lula.
O último ato público de Nísia como ministra ocorreu no Palácio do Planalto, onde participou da assinatura de acordos para a produção de vacinas, medicamentos e insulina. Durante a cerimônia, discursou por mais de 30 minutos, relembrando desafios e avanços na área de imunizações. Em sua fala, pediu orações e um minuto de silêncio pelo Papa Francisco, além de destacar esforços para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS).
A decisão de substituir Nísia Trindade foi tomada, segundo integrantes do governo, devido a dificuldades na gestão da vacinação e no enfrentamento do surto de dengue em 2024. Além disso, houve demora na implantação do programa de Medicina Especializada, considerado essencial para ampliar a oferta de consultas e exames no SUS. O governo avalia que esse programa poderia ser uma marca do terceiro mandato de Lula, que enfrenta queda na popularidade.
Alexandre Padilha, que assumirá o Ministério da Saúde, tem um longo histórico na administração pública. Médico infectologista, PhD em Saúde Pública e professor universitário, ele já ocupou a pasta da Saúde durante o governo de Dilma Rousseff, quando implementou o programa Mais Médicos. Atualmente, estava à frente da Secretaria de Relações Institucionais, cargo que também exerceu entre 2009 e 2010, no segundo mandato de Lula.
Em suas redes sociais, Padilha expressou honra pela nomeação e destacou a admiração e carinho por Nísia Trindade. Ele ressaltou o legado da ministra na reconstrução do SUS após gestões que, segundo ele, adotaram posturas negacionistas, resultando em perdas significativas de vidas.