O cinema brasileiro alcançou um marco histórico na noite deste domingo (2), quando o filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional na 97ª edição da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Esta é a primeira vez que uma produção do Brasil conquista a estatueta na categoria, que reconhece longas-metragens produzidos fora dos Estados Unidos e com diálogos majoritariamente em um idioma diferente do inglês.
Visivelmente emocionado ao subir ao palco do Dolby Theatre, em Los Angeles, Walter Salles dedicou a conquista a Eunice Paiva, mulher que inspirou a trama do filme. “Esse filme vai para uma mulher que, após uma perda enorme por um regime autoritário, decidiu não se render: Eunice Paiva”, declarou o cineasta ao receber a estatueta dourada. O diretor também homenageou as atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, que interpretam Eunice em diferentes fases da vida na produção.
A vitória de “Ainda Estou Aqui” é especialmente significativa para o cinema nacional, que há décadas tentava conquistar o prêmio na categoria. Em 1960, “Orfeu Negro”, falado em português e gravado no Brasil, levou o Oscar de Melhor Filme Internacional, então chamado de “Melhor Filme Estrangeiro”. No entanto, a produção foi creditada à França, país do diretor Marcel Camus. O Brasil chegou perto da estatueta com indicações de “O Pagador de Promessas” (1963), “O Quatrilho” (1996), “O Que é Isso, Companheiro?” (1998) e “Central do Brasil” (1999), mas nunca havia vencido.
Com um enredo sensível e atuações marcantes, “Ainda Estou Aqui” conquistou não apenas os membros da Academia, mas também a crítica internacional. O longa retrata a trajetória de Eunice Paiva, viúva do advogado e deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar brasileira. A produção mistura drama e memória histórica para contar a luta de Eunice em busca de justiça e pela preservação da verdade.


