sábado, março 7, 2026
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Golpes no WhatsApp viram sinal de alerta: veja como se proteger e o que fazer caso caia em uma fraude

Especialista em Direito Digital, Aldo Evangelista orienta vítimas e alerta para dever das plataformas

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Especialista em Direito Digital, Aldo Evangelista orienta vítimas e alerta para dever das plataformas (Ilustração: Rana Lopes)

Os golpes pelo WhatsApp continuam entre os crimes virtuais mais comuns no Brasil. Para se ter uma ideia, de acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), mais de 153 mil casos foram registrados apenas em 2024, consolidando esse tipo de fraude como uma das mais recorrentes no ambiente digital.

Os criminosos utilizam diferentes estratégias, mas o objetivo é sempre o mesmo: enganar a vítima para roubar dados ou dinheiro. Entre os métodos mais utilizados estão a clonagem de contas, falsas ofertas de venda e simulações de atendimentos de bancos ou lojas online.

Veja também: Fraude imobiliária: Advogados alertam população do Amazonas sobre golpes no mercado imobiliário

Nos últimos meses, personalidades do Amazonas foram alvo dessas práticas criminosas. Um dos casos mais recentes envolveu o número de WhatsApp do vereador Diego Afonso (União-AM). Em nota nessa quinta-feira, 3, o parlamentar alertou a população:

“Estão usando esse número de WhatsApp se passando pelo vereador Diego Afonso. Não compartilhe dados, não acredite em mensagens e denuncie imediatamente. O vereador não solicita informações pessoais ou valores pelo WhatsApp.

Vereador compartilhou nas redes sociais sobre o golpe que tentara aplicar usando o nome dele

Pouco tempo antes, o jornalista que vos escreve, Bruno Pacheco, do portal O Convergente e Manaós, também foi vítima de uma tentativa de golpe. Os criminosos utilizaram uma foto dele para criar um perfil falso e tentaram extorquir a mãe do jornalista, pedindo R$ 2.800 via Pix. A tentativa foi frustrada porque a mãe suspeitou e entrou em contato com o filho, que registrou Boletim de Ocorrência, mas o autor não foi identificado.

O influenciador e especialista em marketing Jerônimo Alfaia também passou por situação semelhante. “Não foi a primeira vez. Avisei logo minha família e ninguém caiu no golpe. Mas é um risco que corremos, infelizmente”, afirmou. Os criminosos tentaram enganar o pai do influenciador, que é mototaxista, mas ele percebeu a fraude a tempo.

Como funcionam os golpes

O principal tipo de golpe envolve clonagem de contas de WhatsApp. Os fraudadores descobrem o número de celular e o nome da vítima e, com essas informações, tentam registrar o aplicativo em um novo aparelho. Para isso, precisam do código de verificação que o WhatsApp envia por SMS. É nesse momento que os golpistas entram em contato, se passando por empresas conhecidas ou serviços de atendimento, dizendo que precisam do código para confirmar uma atualização ou cadastro.

Outros golpes comuns envolvem a clonagem de contas, mas de uma forma “menos difícil”: os fraudadores apenas pegam uma foto de perfil e o nome da vítima e pegam outro número de whatsapp para tentar aplicar o golpe. Com esse “novo contato”, eles entram em contato com familiares e conhecidos da vítima, com intuito de pedir dinheiro.

Especialista orienta vítimas e alerta para dever das plataformas

O advogado e educador em Direitos Digitais na Amazônia, Aldo Evangelista, destaca que a primeira medida para qualquer vítima de fraude digital é registrar um boletim de ocorrência — o que pode ser feito presencialmente na Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, em Manaus, ou de forma online, por meio das plataformas da Polícia Civil.

“É essencial que a vítima também entre em contato com o suporte do WhatsApp por e-mail, informando o ocorrido e anexando cópia do boletim de ocorrência. Além disso, você pode também procurar um advogado para judicializar o ocorrido”, orienta.

Sobre os prejuízos financeiros, Aldo explica que o Judiciário brasileiro tem, em muitos casos, responsabilizado os bancos e plataformas digitais, entendendo que é dever dessas instituições oferecer segurança adequada aos seus usuários. “Desde que não não seja reconhecida que foi flagrantemente culpa exclusiva da vítima, as pessoas que foram vítima dessa questão financeira têm conseguido sim reparar seus danos, ou seja, reaver o dinheiro”, afirma.

Aldo Evangelista. Advogado e Educador em Direitos Digitais na Amazônia. Procurador Municipal de Carreira. Mestre em Ciências Forenses. Presidente da Comissão de Direitos Digitais, Startups e Inovação da OAB-AM. Organizador de eventos de incentivo e desenvolvimento a inovação jurídica: Hackathon e meetups. Palestrante e Músico (Foto: Arquivo Pessoal)

A criação de perfis falsos na internet também é um crime previsto no Código Penal Brasileiro, conforme reforça o especialista. “Usar imagem e nome de terceiros para enganar outras pessoas configura estelionato. É crime, porque é proibido se passar por outra pessoa, conforme a legislação brasileira. Geralmente as pessoas fazem isso para cometer algum tipo de fraude digital, popularmente conhecido como crime digital.”

Dicas de segurança digital

Para evitar cair em golpes, Aldo Evangelista recomenda atenção redobrada e medidas simples, mas eficazes. “Utilizar softwares originais e atualizados. Para de usar aplicativos piratas. Também é importante instalar antivírus, usar redes VPN em redes públicas e, acima de tudo, desconfiar de links recebidos via WhatsApp, SMS ou e-mail.”

O advogado reforça que links maliciosos muitas vezes se disfarçam de promoções ou mensagens urgentes, com o único objetivo de instalar vírus nos dispositivos das vítimas e coletar dados pessoais. “Recebeu um link suspeito? Vai lá nos três pontinhos, denuncie dentro da própria plataforma e bloqueie esse link”, explica.

Responsabilidade das plataformas

Aldo também chama atenção para a mudança recente no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que abre precedentes para a responsabilização das plataformas digitais por conteúdos ilícitos hospedados em seus domínios.

“Os bancos e as plataformas podem sim responsabilizados, principalmente, agora, em relação às plataformas, porque houve a mudança no entendimento do STF sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet, onde há certos casos em que elas são responsabilizadas pelo conteúdo que estão nelas. Então, qualquer pessoa pode notificar judicialmente e essas plataformas devem retirar esse conteúdo do ar”, finaliza.

Como se proteger

A Febraban orienta os usuários a adotar medidas simples, mas eficazes:

  • Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp (Configurações > Conta > Verificação em duas etapas).
  • Nunca informe o código de seis dígitos enviado por SMS para ninguém, mesmo que a pessoa pareça confiável.
  • Desconfie de mensagens com pedidos urgentes de dinheiro, mesmo que venham de conhecidos.
  • Verifique a autenticidade de contatos ligando para a pessoa por outro canal.
  • Evite clicar em links recebidos por WhatsApp, especialmente se forem desconhecidos ou de promoções incomuns.

Caiu no golpe? Veja o que fazer:

Se você foi vítima de um golpe pelo WhatsApp, siga os passos abaixo:

  1. Avise imediatamente amigos e familiares para que não caiam no mesmo golpe.

  2. Tente recuperar sua conta pelo WhatsApp (abra o app, insira seu número e digite o código que receber por SMS).

  3. Denuncie o número falso no WhatsApp (opção “Denunciar contato”).

  4. Registre um Boletim de Ocorrência – de preferência eletrônico, disponível no site da polícia civil de seu estado.

  5. Se houver prejuízo financeiro, entre em contato com seu banco e com o Procon, pois em alguns casos é possível solicitar estorno do valor via Pix. Guarde comprovantes e registre a reclamação no Consumidor.gov.br.

Por: Bruno Pacheco
Ilustração: Rana Lopes
Revisão Jurídica: Letícia Barbosa

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