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Histórico: Primeira vacina contra o Alzheimer entra em fase de testes em humanos

Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolvem imunizante promissor que pode mudar o rumo da doença neurodegenerativa. Vacina será acessível? Estará no SUS? Veja o que já se sabe.

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Crédito: Imagem gerada por inteligência artificial (IA) por meio da funcionalidade de criação de imagens do ChatGPT, ferramenta desenvolvida pela OpenAI.

Por Érica Barbosa – Julho de 2025

A ciência acaba de dar um passo histórico na luta contra uma das doenças mais cruéis e debilitantes da atualidade: o Alzheimer. Pesquisadores da Universidade do Novo México (UNM), nos Estados Unidos, anunciaram o início do primeiro ensaio clínico em humanos de uma vacina que promete interromper o avanço da doença em estágios iniciais. O imunizante é baseado em uma tecnologia inovadora de partículas semelhantes a vírus (VLPs), que treina o sistema imunológico a atacar a proteína tau anormal — um dos principais agentes por trás da morte dos neurônios.

A vacina é resultado de mais de uma década de estudos liderados pelo neurocientista Kiran Bhaskar, PhD, com colaborações dos cientistas Bryce Chackerian e David Peabody, especialistas em biotecnologia da própria UNM. O projeto ganhou fôlego após o sucesso em experimentos com roedores e primatas, onde os animais vacinados apresentaram melhora cognitiva e redução significativa das estruturas neurotóxicas no cérebro.

“Nossa tecnologia induz uma resposta imune altamente específica e segura contra a proteína tau patológica, sem afetar o tau saudável, essencial para o funcionamento normal do cérebro”, explicou Bhaskar à imprensa científica.

A vacina será produzida em parceria com a biotech canadense TheraVac Biologics, responsável pela fabricação em conformidade com os padrões da FDA (Agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA). Os testes clínicos de Fase 1 começarão em breve e deverão envolver um pequeno grupo de voluntários saudáveis, focando em segurança, tolerabilidade e resposta imunológica. Se os resultados forem positivos, as fases seguintes testarão eficácia em pessoas com maior risco de desenvolver Alzheimer ou nos primeiros sinais da doença.

Vacina estará disponível no SUS?

Ainda é cedo para afirmar. O imunizante está em estágio inicial de testes, e seu caminho até os sistemas públicos de saúde dependerá de muitos fatores: eficácia clínica, aprovação regulatória, capacidade de produção e negociação com governos. No entanto, a expectativa é de que, diferente das terapias já aprovadas nos Estados Unidos — como os anticorpos monoclonais lecanemab e aducanumabe — a vacina tenha um custo bem menor e maior viabilidade de uso em larga escala.

Esses medicamentos, que também tentam retardar o Alzheimer, chegam a custar mais de US$ 26 mil por paciente ao ano, o que dificulta sua adoção por países com sistemas públicos de saúde. Já a vacina desenvolvida pela UNM foi pensada desde o início para ser aplicada em doses espaçadas, com baixo custo de produção e logística facilitada.

Um divisor de águas

O Alzheimer afeta mais de 55 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e representa um enorme desafio para famílias, cuidadores e sistemas de saúde. Não há cura para a doença, apenas tratamentos paliativos. Por isso, o anúncio da primeira vacina com potencial preventivo representa um marco na medicina contemporânea.

“A ideia de que poderemos vacinar as pessoas para prevenir ou retardar o Alzheimer é tão transformadora quanto foi a introdução da vacina contra a poliomielite no século passado”, comparou Chackerian, um dos criadores da plataforma VLP.

Especialistas brasileiros acompanham com entusiasmo o avanço da pesquisa. A neurologista Fabiana Ferreira, do Hospital das Clínicas, destaca: “Se essa vacina realmente funcionar como os estudos sugerem, ela será um divisor de águas. A grande vantagem é a simplicidade: não exige internações, infusões nem alto custo por dose.”

E o futuro?

A fase de testes em humanos deve durar cerca de 12 a 18 meses. Caso as próximas etapas confirmem a eficácia e segurança, a vacina poderá ser submetida para aprovação nos EUA e em outros países, incluindo o Brasil. A expectativa é que, se tudo correr bem, o imunizante esteja disponível no mercado até o final desta década.

Enquanto isso, o mundo assiste, esperançoso, ao nascimento de uma nova arma contra a perda de memórias, identidades e vidas.

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