sábado, março 7, 2026
Home Notícias Amazonas MP ajuíza ação contra operadora por falhas em tratamento de crianças com...

MP ajuíza ação contra operadora por falhas em tratamento de crianças com autismo

Ação civil pública busca garantir atendimento integral a pacientes com TEA na rede da Samel

0
191
Fotos: Divulgação/Arte: Gabriel Torres

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) ingressou com ação civil pública contra a operadora e rede de hospitais Samel por falhas reiteradas no atendimento a crianças com transtorno do espectro autista (TEA). A medida, movida pela 52ª Promotoria de Justiça do Consumidor, visa assegurar tratamento adequado, reembolso de despesas e estrutura compatível com as necessidades dos pacientes.

A ação decorre do Inquérito Civil nº 06.2023.00000239-5, instaurado em julho de 2023, com base em denúncias de pais e responsáveis legais de pacientes vinculados ao plano. As investigações apontaram práticas abusivas e omissões contratuais por parte da operadora, incluindo a ausência de profissionais habilitados, marcação simultânea de sessões para diferentes pacientes e limitações arbitrárias à frequência e à duração dos atendimentos terapêuticos.

Também foram constatadas irregularidades como cancelamentos e remarcações unilaterais, estrutura física inadequada e falta de individualização dos tratamentos. Em muitos casos, os atendimentos ocorriam em ambientes despreparados, sem a infraestrutura necessária para atender ao público infantojuvenil com TEA, comprometendo o desenvolvimento dos pacientes e forçando as famílias a recorrerem a serviços particulares.

Apesar das tentativas extrajudiciais de solução, inclusive com a proposta de assinatura de um termo de ajustamento de conduta (TAC), a empresa recusou o acordo e não apresentou medidas efetivas para corrigir as falhas apontadas. Com isso, o MPAM optou pela judicialização da demanda, buscando assegurar a proteção dos direitos coletivos e individuais dos consumidores prejudicados.

Na ação, o MPAM requer, em caráter de urgência, a prestação imediata de atendimento multidisciplinar contínuo, regular e adequado aos beneficiários com TEA, conforme prescrição médica; e a disponibilização de profissionais habilitados e estrutura física compatível com as necessidades dos pacientes.

No processo também é solicitada o reembolso integral das despesas assumidas pelas famílias em razão da omissão contratual; bem como a condenação da empresa à reparação dos danos materiais e morais sofridos pelos consumidores.

“Esta ação representa o esforço contínuo do Ministério Público para garantir o respeito aos direitos dos consumidores, em especial das crianças e adolescentes com necessidades terapêuticas específicas. A conduta omissiva da empresa não pode ser tolerada, pois atinge diretamente o direito à saúde e à dignidade dessas famílias”, destacou o promotor de Justiça Lincoln Alencar de Queiroz, autor da ação.

A promotoria ressalta que a negativa ou restrição injustificada de cobertura para tratamentos prescritos é considerada prática abusiva, vedada pelo Código de Defesa do Consumidor. Além disso, viola princípios constitucionais fundamentais, como o direito à saúde e à proteção integral da criança e do adolescente, além das normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que preveem cobertura ilimitada para sessões terapêuticas em casos de TEA.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here