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Os transplantes de Faustão e a fila para doação de órgãos no Brasil

Sistema Nacional de Transplantes segue critérios médicos que priorizam pacientes em estado crítico e com alta compatibilidade biológica

A recente sequência de transplantes do apresentador Faustão reacendeu o debate sobre  a fila para doação de órgãos no Brasil e por que alguns pacientes recebem prioridade mesmo diante de milhares de pessoas aguardando.

Entre agosto de 2023 e agosto de 2025, o apresentador passou por quatro procedimentos: transplante de coração, rim, fígado e um retransplante renal. Os dois últimos realizados com apenas um dia de diferença. A rapidez na obtenção dos órgãos levanta questionamentos, mas está amparada nas regras do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que segue critérios médicos rígidos para definir quem recebe prioridade.

Fila única e critérios técnicos

A fila para transplantes no Brasil é única e gerida pelas Centrais de Transplantes de cada estado, sob coordenação do Ministério da Saúde. O processo é informatizado e auditado, impedindo que escolhas sejam feitas de forma arbitrária.

A posição de um paciente na lista não depende de ordem de chegada, mas de critérios médicos como urgência e superurgência, compatibilidade biológica, gravidade clínica e tempo de espera.

Em um primeiro momento, pacientes em estado crítico, como aqueles com falência aguda de órgãos vitais ou internados em UTI, são priorizados. Na compatibilidade biológica são analisados os tipos sanguíneos, a compatibilidade imunológica e tamanho do órgão.

A gravidade clínica é analisada por meio de critérios definidos pela medicina. No caso do fígado, por exemplo, o escore MELD (Modelo para Doença Hepática Terminal, do inglês), é levado em consideração para entender tal nível de gravidade. Em casos sem urgência, o tempo de espera na fila define de quem é a prioridade na doação.

Quando um órgão de doador falecido é disponibilizado, o sistema indica automaticamente o receptor mais compatível. No caso de órgãos de doadores vivos, como rins ou parte do fígado, o processo pode ocorrer diretamente entre doador e receptor.

Faustão

No caso de Faustão, em todos os procedimentos ele se enquadrava em situações de alta gravidade, que o colocaram nas categorias de urgência ou superurgência. Em 2023, para receber o coração, o apresentador sofria de insuficiência cardíaca grave e estava internado na UTI. 

Em 2024, Faustão passou por transplante de rins devido a insuficiência renal crônica, mas sofreu rejeição neste ano e precisou do retransplante. Já o transplante de fígado ocorreu após a identificação de doença hepática irreversível agravada por sepse, com risco de morte.

Outro fator que acelerou o processo este ano foi a coincidência de compatibilidade para fígado e rim com um único doador, permitindo que ambos fossem alocados para ele em sequência. Isso não significa “furar a fila”, mas sim aproveitar a oportunidade que atendia aos critérios técnicos e logísticos do sistema.

Casos como o de Faustão reforçam o funcionamento de um sistema que prioriza a vida de quem está em risco iminente de morte. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 40 mil pessoas aguardam por um órgão no Brasil. Apesar de ser referência mundial em transplantes públicos, o país ainda enfrenta desafios como baixa taxa de autorização familiar e dificuldades logísticas para transporte de órgãos.

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