sábado, março 7, 2026
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Fiocruz descobre composto 170 vezes mais potente contra leishmaniose resistente

Novo fármaco apresentou alta eficácia em testes e pode revolucionar tratamento de doença negligenciada

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Mosquito-palha é o transmissor da leishmaniose/Foto: Wikimedia Commons

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com instituições do Brasil, França e Canadá, anunciou a descoberta de um composto químico inédito, o SbVT4MPP, que mostrou ser até 170 vezes mais potente que os tratamentos convencionais contra a leishmaniose, incluindo formas resistentes da doença. Os resultados foram publicados na revista Biomedicine & Pharmacotherapy em junho de 2025.

O novo composto combina antimônio pentavalente (SbV) com porfirina, estrutura química que potencializa sua ação contra o parasita Leishmania. De acordo com os pesquisadores, liderados por Rubens Lima do Monte Neto, da Fiocruz Minas, a molécula atua bloqueando a produção de ergosterol, componente essencial da membrana celular do parasita. O alvo, a enzima 24-SMT, não está presente em células de mamíferos, o que reduz o risco de efeitos colaterais.

Nos testes de laboratório, o SbVT4MPP apresentou alta especificidade contra o parasita e eficácia mesmo em baixas concentrações. Em camundongos infectados com Leishmania donovani, causadora da leishmaniose visceral, a carga parasitária no fígado caiu 96%. Além disso, o composto conseguiu tornar novamente vulneráveis parasitas resistentes aos medicamentos hoje utilizados, superando uma das principais barreiras no combate à doença.

A pesquisa, que está em fase pré-clínica, ainda depende de novos estudos e investimentos para avançar aos testes clínicos em humanos. Um dos desafios é superar o chamado “vale da morte”, período crítico do desenvolvimento de fármacos, marcado por dificuldades financeiras e regulatórias.

Formas da doença

As leishmanioses são transmitidas pela picada do mosquito-palha e têm duas formas principais: tegumentar, que afeta pele e mucosas, provocando feridas e possíveis deformidades, e visceral, mais grave, compromete órgãos como fígado e baço e pode ser fatal se não tratada.

A doença atinge, sobretudo, populações vulneráveis. Os tratamentos atuais, como os antimoniais pentavalentes, apresentam toxicidade e baixa eficácia em casos resistentes.

A descoberta contou com colaboração da UFMG, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Paris-Saclay (França) e Universidade de Montréal (Canadá). Os cientistas agora buscam parceiros para desenvolver formulações orais e avançar nas próximas etapas.

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