sábado, março 7, 2026
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Reportagem da BBC expõe contradições no mercado do couro de pirarucu na Amazônia

Marcas de luxo vendem produtos a preços milionários, enquanto comunidades ribeirinhas recebem pouco pelo manejo sustentável do peixe

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Foto: Divulgação/Fundação Amazonas Sustentável

Uma reportagem da BBC News Brasil mostrou como a indústria da moda internacional transformou o couro de pirarucu em artigo de luxo, com bolsas e acessórios vendidos por milhares de reais, mas manteve os pescadores amazônicos com remuneração mínima, apesar do papel essencial no manejo sustentável da espécie.

O pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo, voltou a ganhar protagonismo na Amazônia, mas não apenas pela carne valorizada em feiras e mercados. Uma reportagem da BBC News Brasil revelou que sua pele, antes descartada, se tornou um dos couros mais cobiçados pela indústria da moda, com marcas de luxo como Giorgio Armani, Dolce & Gabbana e Osklen explorando o material em bolsas, botas e acessórios vendidos por preços elevados no Brasil e no exterior.

Apesar do apelo sustentável, que associa o uso do couro à preservação da floresta e à geração de renda para comunidades ribeirinhas, a investigação apontou que a realidade é bem menos favorável aos pescadores. Eles, que garantem o manejo e a recuperação da espécie após décadas de risco de extinção, recebem valores considerados baixos, em média R$ 11 por quilo de peixe, enquanto curtumes e marcas concentram os lucros.

Segundo o levantamento, a empresa brasileira Nova Kaeru domina cerca de 70% do mercado de exportação de couro de pirarucu, fornecendo para grifes internacionais e para o segmento de botas country nos EUA e México. A concentração de mercado gera críticas sobre monopólio e até atrasos nos pagamentos às comunidades. Já organizações locais denunciam a desigualdade: estudo da Operação Amazônia Nativa (Opan) mostrou que 95% das peles passam por frigoríficos e apenas 5% ficam nas mãos de associações comunitárias.

Além da disparidade econômica, há o desafio da pesca ilegal. Dados do Ibama apontam mais de 1,1 mil multas desde os anos 2000, a maioria no Amazonas. Especialistas alertam que parte do couro vendido pode ter origem irregular, dada a dificuldade de rastrear o material após o fracionamento.

Embora empresas como Osklen e Piper & Skye defendam o compromisso com a sustentabilidade, a BBC destacou que soluções estruturais são necessárias para garantir justiça social. Entre elas, o fortalecimento de políticas públicas, investimentos para que comunidades possam processar o couro localmente e maior transparência na cadeia produtiva. Sem avanços, existe o risco de que pescadores abandonem o manejo para atividades mais lucrativas, porém mais nocivas ao meio ambiente, como o desmatamento.

Com informações de BBC News Brasil

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