sábado, março 7, 2026
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Brasil registra avanço da febre Oropouche e preocupa autoridades de saúde

Doença viral transmitida por mosquitos já tem mais de 11 mil casos confirmados em 2025 e se espalha para novas regiões

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Foto: Divulgação/Fiocruz

A febre Oropouche, transmitida pelo mosquito Culicoides paraensis e causada pelo vírus Orthobunyavirus oropoucheense (OROV), tem avançado no Brasil e ampliado a preocupação das autoridades de saúde. Segundo dados mais recentes, divulgados até 20 de agosto de 2025, o país já contabiliza 11.853 casos confirmados somente neste ano, espalhados por 18 estados.

O Espírito Santo lidera o número de notificações, com 6.118 casos, seguido por Rio de Janeiro (1.900), Paraíba (640) e Ceará (573). Em 2024, o Brasil já havia registrado 13.782 infecções, sendo responsável por mais de 90% dos diagnósticos reportados nas Américas, conforme a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

O Ministério da Saúde também confirmou as primeiras mortes do mundo pela doença em 2024, incluindo dois casos na Bahia e óbitos em outros três estados. Neste ano, quatro pessoas morreram em decorrência do vírus: três no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo. Além disso, nove casos de transmissão de mãe para feto foram registrados, resultando em cinco óbitos fetais e quatro ocorrências de anomalias congênitas em investigação.

Especialistas apontam que o aumento dos casos pode estar relacionado a fatores ambientais, como mudanças climáticas, desmatamento e urbanização, que favorecem a proliferação do mosquito transmissor.

Nova linhagem viral

A descoberta de uma nova linhagem viral pela Fiocruz, com maior capacidade de replicação e escape parcial da imunidade pré-existente, também é apontada como determinante para a expansão do surto.

Os sintomas da febre Oropouche lembram os de outras arboviroses, como dengue e chikungunya: febre súbita, dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas e tontura. Em casos raros, pode evoluir para meningite, meningoencefalite e complicações hemorrágicas. Ainda não existe vacina ou medicamento específico, e o tratamento é feito apenas para alívio dos sintomas.

As autoridades de saúde recomendam medidas preventivas como o uso de repelente, roupas compridas, instalação de telas em janelas e eliminação de possíveis criadouros do mosquito. Apesar de o risco de um surto nacional ainda ser considerado baixo, especialistas alertam que a vigilância epidemiológica precisa ser intensificada, principalmente em regiões onde os casos começam a surgir pela primeira vez.

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