O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024 revelou que o analfabetismo funcional continua sendo um desafio no Brasil. Segundo o estudo, realizado pela Ação Educativa e Conhecimento Social, com apoio da Fundação Itaú, Instituto Unibanco, UNESCO e Fundação Roberto Marinho, 29% da população entre 15 e 64 anos permanece nessa condição, o mesmo patamar registrado em 2018.
Pessoas classificadas como analfabetas funcionais conseguem identificar palavras e números isolados, mas enfrentam dificuldades para compreender textos mais longos, realizar cálculos simples ou aplicar a leitura e a escrita em situações cotidianas.
O levantamento apontou ainda uma piora entre os mais novos. Entre jovens de 15 a 29 anos, o índice de analfabetismo funcional subiu de 14% em 2018 para 16% em 2024. Pesquisadores indicam que a interrupção das aulas durante a pandemia de Covid-19 pode ter influenciado no retrocesso.
Questões sociais e econômicas também afetam os resultados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, enchentes reduziram a taxa de crianças alfabetizadas de 63,4% em 2023 para 44,7% em 2024. Diferenças raciais são outro fator de destaque: 28% dos brancos estão em condição de analfabetismo funcional, contra 30% de pretos e pardos e 47% de amarelos e indígenas.
Letramento digital em evidência
Pela primeira vez, o Inaf incluiu dados sobre letramento digital. O resultado mostra que 95% dos adultos com baixo nível de alfabetismo têm dificuldade em tarefas simples na internet, como preencher formulários. Entre jovens de 15 a 19 anos, 61% não conseguiram concluir uma simulação de compra online. O dado reforça que acesso à tecnologia não garante competência digital.
O estudo classifica os brasileiros em cinco níveis: Analfabeto, Rudimentar, Elementar, Intermediário e Proficiente. Apenas 10% da população adulta alcança o nível proficiente, com domínio pleno de leitura e matemática. A maioria se concentra no nível Elementar, capaz de lidar com textos médios e operações básicas, mas com limitações em tarefas mais complexas.


