O estudante amazonense Eli Minev Benzecry, de 17 anos, foi homenageado no Prêmio Empreendedor Social 2025 pelo seu trabalho de ativismo climático. Natural de Manaus, ele ganhou destaque pelo resgate do cultivo do tubérculo ariá, alimento amazônico ancestral que quase desapareceu das feiras e mercados da capital.
A premiação valoriza jovens que desenvolvem soluções socioambientais, estimulam a mobilização comunitária e atuam em regiões de alta vulnerabilidade, como a Amazônia. Para Eli, sua proposta é um exemplo de que a inovação pode nascer dentro da própria floresta. “Tanto quanto incentivar o resgate do ariá, é preciso incentivar as soluções que são criadas dentro da Amazônia. Na seca de 2023, muitos povos ficaram isolados. A minha solução é uma dentre muitas que podem ser criadas internamente na Amazônia”, disse o estudante.
Memória afetiva
A inspiração para o projeto veio de lembranças familiares. Eli conheceu o ariá pelas histórias de sua avó, Dona Nora, que consumia o tubérculo na infância. A partir disso, o jovem decidiu criar uma iniciativa que unisse ciência, cultura e sustentabilidade para dar nova vida ao alimento.
A ação tem três frentes principais. A primeira envolve pesquisa científica, em parceria com pesquisadoras do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), como Noemia Ishikawa, para analisar a composição nutricional do ariá. A segunda é o resgate do cultivo, com incentivo à produção em hortas urbanas e sistemas agroflorestais. A terceira busca promover o incentivo ao consumo, por meio de receitas, apresentações culturais e divulgação em feiras e comunidades.
Livro e protagonismo
Além do reconhecimento no Prêmio Empreendedor Social, Eli é autor principal do livro “Ariá: um alimento de memória afetiva”, publicado na série “Amazônia Chibata”. A obra reúne pesquisas, relatos e reflexões sobre o papel do tubérculo na cultura alimentar da região.




