sábado, março 7, 2026
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Caso Benício: Justiça barra prisão preventiva e médica responderá em liberdade por morte de criança

Polícia aponta imprudência e overdose de adrenalina, mas médica segue livre por decisão do TJAM

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Capa: Gabriel Torres

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) negou o pedido de prisão preventiva da médica Juliana Brasil Santos, investigada pela Polícia Civil (PC-AM) pela morte de Benício Xavier, 6 anos, ocorrida na madrugada do último sábado (22), em um hospital particular da Zona Centro-Sul de Manaus. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (28) pelo delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), responsável pela investigação.

O caso ganhou grande repercussão após vir à tona que a criança sofreu seis paradas cardiorrespiratórias depois de receber, por via intravenosa, ao menos três doses de adrenalina. Benício havia dado entrada no hospital com quadro de falta de ar.

Depoimentos e nova fase da investigação

Nesta sexta-feira, a médica e uma técnica de enfermagem foram ouvidas pela Polícia Civil. Ambas são investigadas pelo possível erro na administração do medicamento. Segundo o delegado, essa etapa visa confrontar versões já apresentadas por testemunhas e profissionais da unidade.

“Hoje, queremos ouvir o outro lado das versões e entender qual é a perspectiva deles em relação ao fato”, afirmou Martins.

O delegado classificou a morte como homicídio doloso qualificado, com base na suspeita de que houve imprudência e negligência no atendimento. Para ele, o caso se enquadra em dolo eventual, quando o profissional assume o risco de causar a morte. Testemunhas relataram à polícia que a médica não demonstrou urgência ao atender o menino, mesmo após ser chamada pela técnica de enfermagem.

Dúvidas sobre aplicação da medicação

Um dos pontos ainda em análise é a atuação da técnica de enfermagem que aplicou o medicamento. De acordo com Martins, havia incerteza sobre quem, de fato, administrou as doses, o que motivou a notificação prévia para identificar corretamente a profissional.

Outros médicos envolvidos no atendimento também prestaram depoimento. Eles confirmaram que o diagnóstico de Benício foi overdose de adrenalina, quantidade muito superior ao recomendado para uma criança.

As imagens do circuito interno do hospital foram entregues à Polícia Civil e estão passando por análise. “Recebemos muito material e ainda não conseguimos completar a avaliação. Assim que concluirmos, divulgaremos nossas conclusões”, disse o delegado. A investigação deve ser finalizada em até 30 dias.

Decisão judicial e afastamentos

Mesmo com o pedido da Polícia Civil pela prisão da médica, a Justiça concedeu habeas corpus preventivo, garantindo que ela responda ao processo em liberdade.

“Respeitamos a decisão do Tribunal de Justiça, mas as investigações vão seguir em frente com a técnica e a responsabilidade que o caso exige”, declarou Martins.

O delegado reforçou a preocupação com a segurança da população: “Se ela não verificou essa prescrição em relação a uma criança de seis anos, quem garante que isso não pode acontecer novamente?”.

A técnica de enfermagem e demais profissionais envolvidos no procedimento foram afastados pelo hospital até a conclusão das apurações.

O caso continua mobilizando autoridades e levantando debates sobre condutas médicas, protocolos hospitalares e segurança no atendimento infantil.

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