sábado, março 7, 2026
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Perícia descarta falha em sistema de prescrição médica em caso da morte de menino Benício em Manaus

Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, morreu em novembro de 2025 após atendimento médico em Manaus

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(Ilustração: Ranyere Frota)

A perícia realizada no sistema eletrônico de prescrição médica do Hospital Santa Júlia não identificou nenhuma falha técnica que pudesse ter provocado erro na administração de medicamento ao menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, que morreu em novembro de 2025 após atendimento médico em Manaus. A informação foi divulgada pelo G1.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), responsável pela investigação, o laudo do Instituto de Criminalística concluiu que o sistema utilizado pelo hospital, o Tasy EMR, funcionava normalmente no momento do atendimento e não realiza trocas automáticas da via de administração dos medicamentos.

O laudo concluiu que não tem nenhum defeito no sistema e que a via de administração é selecionada pelo médico, não há troca automática de via de administração”, afirmou Marcelo Martins em entrevista ao g1.

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O exame pericial, concluído na quinta-feira, 22, foi solicitado no âmbito do inquérito policial que apura as circunstâncias da morte da criança. Em dezembro de 2025, a defesa da médica Juliana Brasil, responsável pelo atendimento, alegou que a prescrição de adrenalina por via intravenosa registrada no prontuário teria ocorrido em razão de uma falha no sistema eletrônico do hospital.

Segundo a perícia, ao selecionar o medicamento “Adrenalina (Epinefrina) 1 mg/ml inj.”, o sistema preenche automaticamente alguns campos, como dose, unidade de medida e via de administração, sugerindo a via intravenosa como padrão inicial. No entanto, o laudo destaca que o sistema permite a alteração manual desses campos antes da liberação da prescrição para a farmácia.

Durante simulações controladas, os peritos constataram que a via de administração só permanece como intravenosa quando o médico mantém essa opção. Caso o profissional altere a via — por exemplo, para inalatória —, o sistema salva corretamente a mudança, sem apresentar erro ou reverter automaticamente a escolha.

Ainda conforme o Instituto de Criminalística, o sistema não impede nem induz o médico a optar pela via intravenosa, sendo a decisão final sempre do usuário. O laudo também chama atenção para a diferença entre prescrever a adrenalina como “medicamento” ou como “solução”. Ao escolher a categoria “solução”, a via intravenosa passa a ser a única disponível no sistema, por se tratar de uma configuração técnica específica do Tasy. Mesmo assim, os peritos ressaltam que essa opção depende de uma ação deliberada do médico e não ocorre de forma automática.

A análise incluiu logs do sistema, registros de banco de dados e outras evidências digitais, como capturas de tela e vídeos. Segundo os peritos, não foram encontradas falhas, instabilidades, erros de processamento ou comportamentos anômalos no dia do atendimento, e houve total coerência entre o que aparecia na interface do sistema e os registros internos.

O Manaós tenta contato com a defesa de Juliana Brasil para questionar o posicionamento da médica após a conclusão do laudo. A reportagem esclarece que o espaço segue aberto para devidos posicionamentos.

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