Autoridades francesas anunciaram nesta semana a ampliação da investigação criminal sobre fabricantes de fórmula infantil, entre elas Nestlé, Danone e Lactalis, após uma série de recalls em mais de 60 países motivados pela possível presença da toxina cereulide em ingredientes utilizados nos produtos.
A Promotoria de Paris abriu pelo menos cinco inquéritos que envolvem as maiores empresas do setor e marcas menores como Babybio e La Marque en Moins, por suspeitas de engano com produtos que representariam risco à saúde humana; crime que pode resultar em até sete anos de prisão e multa de até 3,75 milhões de euros.
O foco das apurações é a possível contaminação por cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus que é resistente ao calor e pode provocar náuseas, vômitos e diarreia, especialmente em crianças pequenas. O surto de recalls começou após a detecção da substância em um ingrediente, óleo de ácido araquidônico, fornecido a múltiplos fabricantes.
Três mortes sob análise
Além da atuação do Ministério Público, o Ministério da Saúde da França investiga três mortes de bebês que teriam consumido fórmulas incluídas no recall. Embora essas ocorrências tenham sido confirmadas pelas autoridades, até o momento não foi estabelecido um vínculo causal direto entre os produtos e os óbitos, segundo comunicado oficial. As investigações judiciais e periciais seguem em curso.
Autoridades locais em cidades como Bordeaux, Angers e Blois coordenam partes das apurações para verificar se há provas conclusivas sobre relação entre a toxina e os casos fatais, além de cuidar de outras reclamações relacionadas a possíveis efeitos adversos em crianças.
Escalada global e resposta regulatória
A crise de segurança alimentar se espalhou rapidamente: além das ações na França, operadores de saúde pública em países como Bélgica e Reino Unido relataram casos de bebês com sintomas compatíveis com intoxicação, e autoridades alimentares europeias estão trabalhando para estabelecer níveis máximos de cereulide considerados seguros em fórmulas infantis.
Enquanto isso, fabricantes têm reiterado cooperação com autoridades e adotado medidas preventivas, incluindo a retirada de lotes suspeitos do mercado e comunicação às agências reguladoras.
A crise também gerou ações civis: em Paris, famílias de dezenas de crianças processaram o Estado francês e fabricantes, alegando investigações insuficientes sobre os riscos e consequências da contaminação.
As investigações continuam a se desenvolver, com consumidores e autoridades em alerta sobre possíveis novos desdobramentos.


