Conversas extraídas de celulares apreendidos na operação Erga Omnes, deflagrada na sexta-feira, 20, pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), detalham como suspeitos de integrar um “núcleo político” investigado por ligação com o Comando Vermelho trocavam mensagens sobre pagamentos e informações judiciais no estado.
De acordo com a investigação, os prints mostram referências a transferências via Pix e consultas sobre a expedição de mandados de prisão. Segundo a polícia, as mensagens estavam armazenadas no celular de Lucila Meireles Costa, 42 anos, presa no Centro de Teresina (PI) durante o cumprimento dos mandados.
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Em um dos trechos, ainda segundo a polícia, Lucila envia um comprovante de pagamento a Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), e afirma que a tarefa dele seria verificar “se tem algo no sistema e se já foi expedido o mandado de prisão”. Ela também menciona que seria necessário monitorar a situação até o fim do mês.
Outro conjunto de mensagens, datado de 2 de setembro de 2025, mostra diálogo entre Lucila e Allan Kleber Bezerra Lima, apontado pelos investigadores como líder do núcleo político e considerado foragido após a operação. Nos prints, Lucila afirma ter falado minutos antes com Izaldir, indicando possível articulação entre os envolvidos.

Mandados e prisões
Ao todo, a operação cumpriu 14 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas. Entre os presos estão uma ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um servidor do TJAM. As ordens judiciais foram executadas também em outros estados, com apoio de forças de segurança locais.
O esquema
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano. A investigação aponta que o grupo atuava em parceria com traficantes do Amazonas e de outros estados.
As apurações indicam que empresas de fachada, especialmente nos setores de transporte e logística, eram utilizadas para viabilizar a compra de drogas na Colômbia e o envio dos entorpecentes a Manaus. A partir da capital amazonense, a distribuição seguiria para outras unidades da federação.
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Os investigados poderão responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
A defesa dos citados não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem. A redação tenta contato com os envolvidos e esclarece que o espaço segue aberto para devidas manifestações.
A reportagem também entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e solicitou um posicionamento sobre o caso e o servidor envolvido. Até a publicação, sem retorno.


