Um alerta publicado por um usuário na rede social X chamou a atenção de tutores de gatos em Manaus. Na postagem, o internauta afirma haver uma “epidemia” de esporotricose no Amazonas e pede que donos de felinos redobrem os cuidados com os animais.
Até o momento, não há confirmação oficial de aumento expressivo de casos no estado. Para contextualizar o tema, o portal Manaós conversou com a médica veterinária Daiany Pacheco, que atua em Manaus.

Foto: Arquivo pessoal
Segundo a profissional, um dos indícios de possível crescimento da doença costuma ser a concentração de casos em áreas específicas da cidade, especialmente em bairros com pouca infraestrutura sanitária.
“Um dos sinais mais comuns é a grande incidência de animais com esporotricose em áreas determinadas, como bairros com pouca infraestrutura sanitária. Por conta do ambiente contaminado, acaba contaminando outros animais saudáveis. Também percebemos quando há frequência constante de tutores levando gatos com lesões que não cicatrizam rapidamente”, explicou.
A veterinária destaca ainda que, muitas vezes, a percepção nas clínicas antecede os dados oficiais. “Os dados noticiados nem sempre são completos. Nas clínicas e consultórios vemos os índices em larga escala, além dos relatos constantes em grupos de comunicação entre médicos veterinários em toda Manaus”, afirmou.
O Amazonas já registrou surtos da doença em anos anteriores, o que mantém o tema em alerta entre profissionais da área. De acordo com Daiany, fatores como falta de saneamento básico e acúmulo de lixo contribuem para a disseminação.
“O acúmulo de lixo atrai animais de rua. Comida exposta aumenta a presença desses animais, que brigam por território, fêmeas e alimento. Nessas brigas, a transmissão ocorre entre animais infectados e saudáveis. Muitos desses gatos acabam retornando para suas casas, espalhando a doença para outros pets”, explicou.
Entre os principais sinais da esporotricose estão lesões persistentes na pele, especialmente em patas, cabeça e nariz. “Começam na superfície da pele e, se evoluírem, podem tomar o corpo todo do pet. A forma nasal é uma das mais graves, podendo causar espirros, dificuldade respiratória e aumento do nariz”, alertou.
Caso haja suspeita, a orientação é imediata. “O tutor precisa isolar o pet e procurar um médico veterinário. Somente com exames laboratoriais é possível confirmar se se trata de esporotricose e iniciar o tratamento adequado. Em casos avançados, é necessário notificar o Centro de Zoonoses”, orientou.
Para prevenção, a recomendação é evitar contato direto com lesões, utilizar luvas ao manipular o animal, manter o gato sob supervisão e longe das ruas. Em caso de arranhadura ou mordida, é indicado lavar imediatamente o local com água e sabão, aplicar antisséptico e procurar atendimento médico se houver sinais de infecção.
Monitoramento oficial
Procurada pela reportagem, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) informou que mantém monitoramento permanente e público da esporotricose humana e animal no estado.
Segundo o órgão, no dia 24 de fevereiro foi disponibilizado um painel digital específico com dados atualizados da doença, além da divulgação periódica por meio de Informes Epidemiológicos publicados no site institucional.
De acordo com a fundação, os registros seguem sob acompanhamento técnico contínuo, com base nas notificações inseridas no sistema E-SUS, e até o momento não há declaração de surto estadual.
A FVS-RCP informou ainda que a esporotricose passou a integrar a lista nacional de notificação compulsória, conforme portaria do Ministério da Saúde, o que obriga a notificação imediata de casos suspeitos ou confirmados no Sinan.
O enfrentamento da doença no Amazonas conta com um Grupo de Trabalho interinstitucional que reúne órgãos estaduais e municipais para monitoramento e articulação de ações de vigilância, assistência e educação em saúde.
A orientação oficial é que, diante de lesões de pele de evolução prolongada, especialmente quando houver histórico de contato com gatos, animais doentes, solo ou plantas, a população busque atendimento nas unidades de saúde.


