O prefeito de Manaus, David Almeida, visitou neste domingo (15) a praia da Ponta Branca, localizada no bairro Educandos, zona Sul da capital, após a conclusão de um trabalho de revitalização promovido pela Prefeitura de Manaus. O local, que por anos permaneceu abandonado, voltou a receber moradores interessados em banho de rio, atividades esportivas e momentos de lazer às margens do rio Negro.
Embora a área não seja de responsabilidade direta do município, a prefeitura organizou uma força-tarefa para recuperar o espaço em parceria com a Marinha do Brasil. As ações foram executadas por equipes da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana de Manaus (Semulsp), responsáveis pela retirada de resíduos acumulados, limpeza da faixa de areia e organização da área para garantir condições seguras de uso pela população.
Durante a visita, o prefeito destacou o valor simbólico do local para a cidade e, especialmente, para moradores da zona Sul.
“A Ponta Branca faz parte da memória afetiva de Manaus. Muito antes da Ponta Negra se tornar o grande balneário da cidade, era aqui que as famílias da zona Sul vinham tomar banho de rio, jogar futebol na areia e passar os fins de semana. Resgatar esse espaço é devolver à população um pedaço da história da cidade e também da vida de muita gente que cresceu frequentando esse lugar”, afirmou.
Durante a agenda, o prefeito também entrou no rio e tomou um mergulho ao lado de moradores da região. O gesto simbolizou a reocupação do espaço pela comunidade e marcou o clima de comemoração entre famílias que voltaram a frequentar a praia.
O secretário municipal de Limpeza Urbana, Sabá Reis, explicou que o trabalho realizado pelas equipes da prefeitura foi essencial para recuperar a área.
“Essa área estava abandonada há muitos anos. As equipes da Semulsp realizaram um trabalho intenso de limpeza, retirada de resíduos e organização da faixa de areia para que o local voltasse a ser frequentado pelas famílias. A determinação do prefeito foi clara: recuperar esse espaço histórico e devolvê-lo à população da zona Sul”, disse.
Balneário histórico

Situada no bairro Educandos, um dos mais tradicionais de Manaus, a praia da Ponta Branca marcou gerações de moradores da zona Sul. Antes da urbanização da orla da Praia da Ponta Negra e da consolidação de novos espaços turísticos, a faixa de areia às margens do rio Negro já era um dos principais pontos de lazer da população da região central e da zona Sul da capital.
Até a década de 1980, o local reunia famílias nos fins de semana para banho de rio, partidas improvisadas de futebol na areia e encontros entre moradores de bairros tradicionais como Educandos, Cachoeirinha, Praça 14 e Morro da Liberdade.
A relação da comunidade com o rio sempre foi intensa. Durante grande parte do século passado, pequenas embarcações conhecidas como catraias funcionavam como meio de transporte coletivo entre o Centro de Manaus e bairros ribeirinhos da zona Sul, reforçando a ligação histórica da população com o rio Negro.
Com o crescimento urbano e o surgimento de novas áreas estruturadas de lazer na cidade, como a própria Ponta Negra, a Ponta Branca perdeu espaço ao longo dos anos. A área acabou entrando em processo de abandono, com acúmulo de resíduos e presença de embarcações antigas na margem do rio.
A revitalização busca justamente recuperar essa ligação histórica entre a cidade e o rio, além de devolver à população um espaço que marcou a memória de muitos manauaras.
Moradora do bairro, Maria do Socorro Silva, de 62 anos, afirmou que a recuperação do local traz de volta lembranças da juventude.
“Eu cresci vindo para a Ponta Branca com a minha família. Era aqui que a gente passava os domingos, tomava banho de rio e encontrava os amigos do bairro. Ver esse lugar recuperado traz muita alegria e muita lembrança boa para quem é daqui”, contou.
Ampliação da área
A prefeitura também estuda ampliar a faixa de areia da praia. A proposta está sendo discutida com a Marinha do Brasil, já que a área pertence à União.
Com a reabertura, o espaço volta a integrar a rotina de lazer da população e reacende a memória afetiva de moradores antigos da zona Sul, resgatando um dos primeiros balneários populares às margens do rio Negro.




