
O município de Benjamin Constant entrou em situação de emergência por 180 dias devido às inundações provocadas pela cheia dos rios na região do Alto Solimões. O decreto foi publicado na edição desta segunda-feira, 16, do Diário Oficial dos Municípios do Amazonas.
A medida foi assinada pelo prefeito em exercício, Bruno Barbosa Maciel, e classifica o desastre como inundação de nível II, conforme critérios do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Segundo dados oficiais, a cheia dos rios Rio Javari e Rio Solimões já impacta diretamente diversas áreas do município. O monitoramento hidrológico realizado na estação localizada em Tabatinga apontou que, no dia 11 de março, o nível do rio chegou a 11,39 metros, ficando 2,43 metros abaixo da maior cheia já registrada, em 1999, quando o rio atingiu 13,82 metros.
Mais de 19 mil pessoas afetadas
Levantamento da Defesa Civil indica que a cheia já atinge 67 comunidades ribeirinhas do município. Nessas localidades, 4.476 famílias, o equivalente a cerca de 17.278 pessoas, enfrentam impactos diretos provocados pelo avanço das águas.
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Na área urbana, outras 411 famílias, aproximadamente 1.835 pessoas, também foram afetadas. No total, o número chega a 4.887 famílias, somando cerca de 19.132 pessoas atingidas.
O aumento do volume dos rios tem provocado o transbordamento de cursos d’água e alagamentos em áreas habitadas, atingindo regiões que normalmente permanecem secas durante o período de vazante.
Histórico de cheias e vulnerabilidade
Benjamin Constant possui histórico recorrente de inundações severas, registradas em anos como 1999, 2012 e 2015, fenômeno comum em municípios ribeirinhos da região do Alto Solimões.
Apesar disso, comunidades localizadas em áreas de várzea continuam entre as mais expostas aos efeitos das cheias, o que frequentemente gera dificuldades para moradores que dependem de atividades como agricultura, pesca e criação de animais.
Especialistas em gestão de desastres apontam que regiões com esse histórico exigem monitoramento contínuo e políticas permanentes de prevenção, incluindo planejamento territorial e estratégias de adaptação para populações ribeirinhamais vulneráveis.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Benjamin Constant para obter um posicionamento sobre as ações adotadas para atender as comunidades afetadas pela cheia e sobre eventuais medidas preventivas, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. Caso haja manifestação, o espaço permanece aberto para atualização.



