A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, em conjunto com o Ministério da Saúde, confirmou o primeiro caso de sarampo no estado em 2026. Trata-se de uma bebê de apenas 6 meses de idade, residente na capital paulista, que não havia sido vacinada contra a doença. A informação foi oficializada na terça-feira (11 de março) pela pasta federal.
De acordo com o Ministério da Saúde, o caso é classificado como “importado”. A criança esteve na Bolívia entre 25 de dezembro de 2025 e 25 de janeiro de 2026, país que enfrenta uma epidemia de sarampo desde o ano passado. O resultado positivo para o vírus foi obtido por meio de exame genômico no dia 4 de março, e desde então, equipes de vigilância epidemiológica municipal e federal acompanham o caso.
Este é o primeiro registro da doença no estado de São Paulo em 2026. No ano passado, o estado já havia registrado dois casos, também contraídos fora do país. Em âmbito nacional, o Brasil contabilizou 38 casos confirmados de sarampo em 2025, com destaque para o Tocantins (25), Mato Grosso (6), Rio de Janeiro (2) e São Paulo (2).
Situação na fronteira e o histórico da doença
A situação epidemiológica na Bolívia, que desde 2025 vive uma epidemia da doença, é um ponto de atenção para as autoridades sanitárias brasileiras, especialmente nos estados que fazem fronteira com o país, como Mato Grosso do Sul e Tocantins, onde há uma significativa comunidade boliviana.
O Brasil havia perdido o certificado de erradicação do sarampo em 2019, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, após um surto que começou em 2018 e resultou em mais de 10 mil casos. O país, no entanto, conseguiu recuperar a recertificação de eliminação da doença em 2024, concedida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
O que é o sarampo e como se proteger
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. O Ministério da Saúde alerta que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para 9 em cada 10 pessoas próximas que não estejam imunizadas. Historicamente, a doença foi uma das principais causas de mortalidade infantil no mundo.
“Apesar dos avanços na vacinação, o sarampo ainda representa um desafio para a saúde pública. Regiões com baixas taxas de imunização estão sob maior risco”, diz o Ministério da Saúde, em comunicado.
Transmissão, sintomas e complicações
A transmissão do vírus ocorre de pessoa para pessoa, por meio de gotículas ou pelo ar, ao tossir, espirrar, falar ou mesmo respirar. O período de contágio pode se estender de seis dias antes até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo.
Os principais sintomas, que podem ser confundidos com os de outras doenças virais, incluem:
- Febre alta
- Manchas avermelhadas pelo corpo
- Tosse persistente
- Conjuntivite
- Mal-estar geral e falta de apetite
Em casos mais graves, o sarampo pode levar a complicações sérias como pneumonia, encefalite (inflamação no cérebro) e desidratação. Além disso, a doença pode comprometer a chamada “memória imunológica”, deixando o organismo mais vulnerável a outras infecções.
Vacinação é a principal arma
A única forma de prevenção segura e eficaz contra o sarampo é a vacinação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça a recomendação para que pais e responsáveis mantenham o cartão de vacinação de crianças e adultos sempre atualizado, de acordo com o calendário nacional de imunização.




