A capital amazonense figura novamente entre os piores desempenhos do país em saneamento básico. De acordo com o Ranking do Saneamento 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil com base em dados do SINISA (ano-base 2023), Manaus ocupa a 87ª posição e caiu uma colocação em relação ao levantamento anterior, permanecendo no grupo das 20 cidades com pior infraestrutura sanitária.
Com mais de 2 milhões de habitantes, o município ainda está distante das metas de universalização previstas no Novo Marco Legal do Saneamento, que estabelece prazos até 2033. Os dados revelam dificuldades históricas tanto na ampliação do acesso quanto na eficiência dos serviços.
Principais pontos do levantamento
Esgotamento sanitário é o maior problema
A cobertura de coleta de esgoto atinge apenas 28,46% da população. Já o tratamento chega a 22,31% do volume gerado, índice bem abaixo da meta de 90% definida pela Lei nº 14.026/2020.
Abastecimento de água ainda não é universal
Apesar de avançado, o serviço atende 97,98% dos moradores, sem alcançar o mínimo de 99% exigido para universalização.
Alto índice de perdas de água
Manaus registra 65,12% de perdas no faturamento, o segundo pior resultado entre capitais. Isso indica que grande parte da água produzida não gera receita.
Vazamentos comprometem a distribuição
As perdas na rede chegam a 47,49%, evidenciando falhas estruturais antes da água chegar às residências.
Desperdício acima do limite ideal
Cada ligação consome, em média, 704,92 litros de água desperdiçados por dia — mais que o triplo do parâmetro considerado eficiente pelo governo federal.
Investimento abaixo do necessário
Entre 2019 e 2023, o investimento médio foi de R$ 111,13 por habitante ao ano, enquanto o recomendado pelo Plansab é de R$ 223,82. No total, foram aplicados R$ 1,146 bilhão no período.
Cenário geral
O levantamento evidencia um descompasso entre as exigências legais e a realidade da capital amazonense. A combinação de baixa cobertura de esgoto, perdas elevadas e investimentos insuficientes mantém Manaus em posição crítica no cenário nacional do saneamento básico.


