O Estado do Rio de Janeiro atravessa um momento excepcional em sua história política recente, marcado pela ausência ou ocupação interina nos comandos do Poder Executivo, do Legislativo e das forças de segurança. Diante desse quadro, o governo estadual passou a ser exercido temporariamente pelo presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto.
A atual conjuntura teve início com a renúncia do então governador Cláudio Castro, anunciada na véspera de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que poderia resultar na cassação de seu mandato. O ex-chefe do Executivo deixou o cargo com o objetivo de disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro.

A situação institucional foi agravada pelo fato de o vice-governador, Thiago Pampolha, já ter renunciado anteriormente, em 2025, para assumir função no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), o que resultou na ausência simultânea dos dois principais cargos do Executivo.

De acordo com a linha sucessória, a chefia do Executivo caberia ao presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Contudo, o parlamentar encontra-se afastado de suas funções por determinação judicial, circunstância que o impede de assumir o cargo.

A instabilidade também alcançou a cúpula da segurança pública. O delegado Felipe Curi e o coronel Marcelo de Menezes deixaram seus respectivos cargos para cumprir o prazo de desincompatibilização eleitoral, com vistas à disputa nas eleições de 2026.

Diante da ruptura na linha sucessória, a Constituição estadual estabelece que o presidente do Poder Judiciário assuma interinamente o governo. Nesse contexto, cabe ao desembargador Ricardo Couto assegurar a continuidade administrativa do estado e promover, no prazo de até 30 dias, a realização de eleição indireta na Alerj para a escolha de um governador interino, que deverá permanecer no cargo até o término do mandato, em 2026.

Embora o cenário seja de elevada excepcionalidade, as instituições seguem em funcionamento, com substituições internas, enquanto o estado enfrenta um período de transição considerado incomum na política fluminense.


