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Cultura- Do Pico das Águas e Cachoeira Alta para o bairro do São Jorge: Uma história contínua.

O São Jorge é um bairro localizado na Zona Oeste da cidade de Manaus. Quem mora ou já morou no São Jorge merece saber um pouco mais da história desse lugar.

O nome do bairro está diretamente ligado ao sincretismo religioso, que faz parte da sua história e do imaginário popular de seus moradores até hoje. O bairro surgiu como a maioria dos bairros de Manaus, através de ocupação e foi vagarosamente se desenvolvendo.

História

Na década de 50, surgiram aglomerados de casas dando origem às várias comunidades na área que hoje corresponde ao bairro de São Jorge. Logo no início, para se chegar ao bairro, era preciso atravessar do bairro de São Raimundo de catraia.

Até que em 1955 os moradores construíram, em mutirão, uma vicinal, a chamada de rua dos Batizados, conhecida pela tradição de se realizar batizados na mesma, que hoje é a Alfredo Amaral Bastos.

Em 1957 chegaram os primeiros missionários católicos e no ano seguinte, no dia 15 de abril, foi construída a primeira igreja católica. No princípio, era frequentada por poucas pessoas, que estavam habituadas a frequentar a igreja de São Geraldo. Com o passar do tempo, a igreja adotou o nome de São Jorge, o nome do padroeiro do bairro.

As primeiras denominações do bairro eram de acordo com a sua dinâmica e aspecto.
Por exemplo, o seu primeiro nome foi “Pico das Águas”, por causa da cachoeira e dos igarapés. Depois recebeu o nome de Rocinha, porque tinha muitas roças.
Também se chamou Morro das Corujas, por causa de terreno íngreme, no qual se ouvia muito pio de coruja. E o nome atual surgiu de uma unanimidade, talvez pelo sincretismo religioso latente no bairro.

Ainda nas décadas de 1940 e 1950, a área do bairro consistia em rios, igarapés e as pessoas moravam em taperas. As ruas eram cheias de buracos, de barro úmido, e o uso de cacimbas era inevitável. Não tinham postos de saúde, policiamento e energia elétrica, assim os moradores tinham que usar candeeiros.

Existia uma feira, a feira das Castanheiras, muito precária, mas abastecia a comunidade e ainda continua funcionando até hoje na rua 1º de Maio. Em 1952, no governo de Álvaro Maia, foi inaugurada a primeira ponte do São Jorge, chamada de Engenheiro Lopes Braga, que ligava o bairro ao resto da cidade.

Cachoeira Grande

Na gestão de Plínio Coelho começou a abertura de estradas e o abastecimento de água, por isso mesmo, iniciaram as primeiras construções. Porém, foi também na década de 50, que começou a destruição da Cachoeira Grande, que ficou famosa na cidade por suas águas límpidas e sua bela queda que ficava prateada, por isso recebeu o nome de Bacia de Prata.

Depois de explodida, a barragem serviu para extração de rocha, e os moradores ficaram somente com a lembrança, que carregam até hoje na chamada rua da Cachoeira, ou Ambrósio Aires, que margeava o igarapé do Mindu.
Mais tarde, em 1960, com a retirada das pessoas que habitavam a “Cidade Flutuante”, começou a abertura de ruas e a construção dos barracos das famílias oriundas de invasões.

Em 1963 foram instalados os primeiros postes de iluminação pública, porém a energia elétrica só chegava nas ruas principais.
No governo Plínio Coelho foi construído o conjunto habitacional João Goulart, com casas populares em madeira destinadas à população de baixo poder aquisitivo.
Mais tarde, dois outros conjuntos surgiram, desta vez em alvenaria: O dos Comerciários e dos Bancários, ambos com recurso federal.

Fonte do texto: http://jmartinsrocha.blogspot.com/2010/09/bairro-de-sao-jorge-manaus.html

Fonte:REPRESA CACHOEIRA GRANDE – BAIRRO SÃO JORGE- MANAUS – 1933- ÁGUA POTÁVEL E CRISTALINA… primeiro sistema de captação de águas de Manaus foi feito na Cachoeira Grande, no bairro de São Jorge, depois, passou para a Ponta do Ismael, no bairro da Compensa, funcionando precariamente até hoje… tanto que quando acontece algum problema lá, Manaus padece sem água! — vocês conseguem imaginar que um dia o Bairro do São Jorge foi assim? Nessa localidade também havia uma pedreira, — com Socorro Amaral.

Fonte:IGARAPÉ DA CACHOEIRA GRANDE – Antigamente e atualmente – Bairro São Jorge

BAIRRO DE SÃO JORGE- IGARAPÉ DA CACHOEIRA GRANDE- 1979- Nesse local homens e mulheres quebravam pedras o dia inteiro. Ficou conhecido como PEDREIRA, pelos moradores do bairro São Jorge.

RUÍNAS DA REPRESA DA CACHOEIRA GRANDE – 1998/1999

Trata-se da represa projetada por Lauro Batista Bittencourt, engenheiro ajudante da extinta Diretoria das Obras Públicas, na administração do então presidente da Província do Amazonas, José Lustosa da Cunha Paranaguá.

Estudos detalhados feitos á época pela Diretoria das Obras Públicas constataram que o igarapé da Cachoeira Grande tinha um volume considerável, com uma vazão média de 80 milhões de litros diários, um potencial surpreendente para abastecer toda Manaus dado ao estado de pureza de suas águas frente aos demais igarapés da cidade.

A represa foi concluída em 1884 contendo duas turbinas Fourneyron que transmitia o movimento a duas bombas de duplo efeito, elevando a água para um reservatório de 40 metros acima do nível das bombas.

A água era conduzida por um canal à caixa de captação e levada às bombas de um encanamento até um reservatório. A represa media 104,30 metros de comprimento por 3,50 metros de espessura e 3,80 de altura; o reservatório media 47m de comprimento, 32m de largura e 4m de altura, com capacidade para armazenar 4.592 m3 de água.

Os materiais para a construção da represa da Cachoeira Grande foram encomendados da Inglaterra pelo presidente da Província ao fabricante John Moreton & Cia. As águas represadas da Cachoeira Grande supriram com água encanada o Asilo Orfanático, a Santa Casa de Misericórdia, o Quartel do 3º Batalhão de Artilharia, o Quartel de Polícia, o Palácio da Presidência da Província e o Instituto Amazonense por meio das 33 bicas provisórias instaladas em vários pontos da cidade.

Vila Militar

O bairro também abriga a sede de dois jornais da cidade, panificadoras, pizzarias, várias escolas públicas. O início da presença militar no bairro é marcado pela construção da Vila Militar, para abrigar os sargentos e suboficiais do Exército, logo em seguida veio o 1º BIS(Batalhão de Infantaria de Selva) substituindo o 27º Batalhão de Caçadores.

Seguindo o roteiro até a Ponta Negra, o bairro possui o clube Cirman, o Parque Regional de Manutenção, criado em 6 de dezembro de 1978, e o CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva), considerado em todo o mundo como o mais preparado centro de treinamento de operações na selva, dispondo do zoológico com as mais variadas espécies da fauna Amazônica, que fica na estrada do São Jorge.

Na gestão do prefeito Jorge Teixeira, durante os anos de 1974 e 1978, foi construída a segunda ponte do bairro, que serve até hoje para o retorno à cidade.
Segundo Léia Campos, 48 anos, que mora próximo à ponte há 32, todos conhecem a edificação por Joana Galante, só que o nome não está legalizado na prefeitura.

Comunidades

Alguns conjuntos residenciais mataram a paisagem que encantava os moradores.
Hoje, o São Jorge é divido em algumas comunidades das que compuseram o bairro logo no início, são elas a Vitória-Régia, no lado direito da Av. São Jorge, que antes era o Horto Florestal da cidade; o São Jorge, da rua Humberto de Campos até atrás da igreja; e o Jardim dos Barés, atrás da igreja até Arthur Reis e Travessa Paraguaçu. Este último fica tão próximo ao bairro Vila da Parta que chega a ser confundido com o mesmo, além de ser a parte mais necessitada que merece maior atenção do poder público.

Cada comunidade dessas tem suas próprias ruas de comércio, indústrias e escolas. O Jardim dos Barés tem até uma pequena feira. Funciona também no bairro o Conselho Tutelar da Zona Oeste.

Triste realidade do Bairro do São Jorge

O bairro do São Jorge, atualmente está marcado por brigas de facções, violência, tráfico de drogas e constantes assaltos. A população antiga  lembra com saudosismo do tempo que o bairro representava a história, tradição e união entre a comunidade.

Os moradores do São Jorge, não encontram mais significado nas gerações e não realizam com a mesma constância a rotina das caminhadas, a ida as praças (Praça Duque de Caxias), os passeios no zoológico e as festas.

Agora é cada um por si,  todos trancados em suas casas. No São Jorge não se conhece mais os vizinhos. A famosa “rua da cachoeira” é marcada como cenário de ponto de drogas. O poder público de segurança é pouco atuante, mesmo considerada como território vermelho, não se vê ação atuante e comprometida para acabar com a violência, assaltos e tráfico de drogas. Os comerciantes vivem uma rotina de medo e insegurança.


Fonte: Manaus de Antigamente https://www.facebook.com/Manausdeantigamente/photos/a.453732321356898/514794661917330/?type=3&theater
Fonte:Editora Livraria Acadêmica – Manaus (http://www.facebook.com/photo.php?fbid=266013740185823&set=a.265997526854111.62618.130047043782494&type=3&theater)


Redação Portal Manaós

Érica Barbosa
Érica Barbosa
Assistente social, Prof.a mestra em saúde, empresária e pesquisadora
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