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Estudo liga ondas de calor extremas às emissões de grandes empresas; Petrobras e Vale estão na lista

Pesquisa publicada na Nature aponta que companhias brasileiras tiveram papel direto no aumento da intensidade de eventos climáticos fatais.

Um estudo publicado na revista científica Nature (10/09) revelou que as emissões históricas de grandes empresas ligadas a combustíveis fósseis, carvão e cimento estão associadas à intensificação de 213 ondas de calor registradas em 63 países entre 2000 e 2023. O levantamento, conduzido por pesquisadores da ETH Zurich e da Universidade de Purdue (EUA), atribui cerca de 57% das emissões globais de CO₂ desde 1850 a apenas 180 corporações e entidades, conhecidas como carbon majors.

Entre os nomes citados, aparecem duas gigantes brasileiras: Petrobras e Vale. A Petrobras, listada entre as 14 maiores petrolíferas do planeta, é apontada como responsável por emissões suficientes para tornar isoladamente cerca de 50 ondas de calor mais prováveis ou intensas. De acordo com os cálculos, suas emissões aumentaram a chance de ocorrência de 22% dos eventos analisados em mais de 10 mil vezes, comparado a um cenário pré-industrial. Já a Vale integra o grupo pelo impacto de suas atividades de mineração e produção de aço, que dependem fortemente do uso de carvão e energia fóssil.

O estudo utiliza a chamada ciência de atribuição climática, que permite calcular o peso de cada emissor em eventos específicos. No Brasil, o único episódio listado é a onda de calor de 2010, que causou 38 mortes em Nova Lima (MG), Santos e Rio de Janeiro. Os autores defendem que essa abordagem “preenche uma lacuna de evidências” e pode subsidiar ações judiciais contra grandes poluidoras.

Apesar de não atribuir culpa exclusiva às companhias, a pesquisa reforça que sem as emissões dessas entidades, cerca de 25% das ondas de calor analisadas seriam virtualmente impossíveis. O trabalho destaca ainda que o aquecimento global, impulsionado por atividades humanas, torna esses eventos cada vez mais frequentes, prolongados e letais, em linha com relatórios já divulgados por entidades como o Observatório do Clima no Brasil.

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