Quatro contratos para aquisição de livros didáticos, que somam R$ 848,8 milhões, foram firmados nos últimos três anos por secretarias de Educação sob a gestão de Rossieli Soares. Todas as contratações tiveram como fornecedora a empresa Fazer Educação. As informações foram publicadas pelo The Intercept Brasil.
A empresa pertence ao empresário João Moacir Pereira da Silva Filho, que foi indiciado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em abril de 2025, por fraude em licitação e organização criminosa.
Antes de assumir a Secretaria de Educação de Minas Gerais, em agosto de 2025, Rossieli esteve à frente da pasta no Pará, durante o governo de Helder Barbalho. Nesse período, foram firmados três contratos com a Fazer Educação, entre 2023 e 2024, ainda conforme a reportagem.
Leia mais: Indígenas ocupam sede da Seduc em protesto pelo sétimo dia no Pará
Em Minas Gerais, já na gestão do ex-governador Romeu Zema, mostra o The Intercept, foi assinado o maior contrato entre os quatro: R$ 348,4 milhões para aquisição de 3,5 milhões de livros didáticos destinados aos ensinos fundamental e médio. O acordo foi formalizado em 23 de dezembro de 2025.
A Fazer Educação foi fundada em 2019, no Amazonas, e antes se chamava Sudu Tecnologia Educacional. Rossieli Soares atuou anteriormente no estado, onde foi secretário de Educação entre 2012 e 2016.

A empresa foi alvo da Operação Capa Dura, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul em 2024. A investigação apurou suspeitas de fraude em um contrato de R$ 8,6 milhões firmado com a prefeitura de Porto Alegre, em 2022, para fornecimento de material didático. O caso também foi objeto de apuração por uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal da capital gaúcha, em 2023.
De acordo com a investigação, 34 pessoas foram indiciadas por crimes contra a administração pública. Relatório policial aponta indícios de conluio entre empresas para direcionamento de contratações, incluindo simulação de concorrência em processos licitatórios.
A polícia também identificou indícios de que o termo de referência da contratação em Porto Alegre teria sido baseado em materiais da própria empresa fornecedora.
Os inquéritos da operação foram encaminhados ao Ministério Público do Rio Grande do Sul, que informou não comentar o andamento das investigações, segundo o The Intercept..
Em março de 2026, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) protocolou representação no Ministério Público Federal questionando o contrato firmado em Minas Gerais. Até o momento mencionado na reportagem original, o caso não havia sido distribuído a um procurador.
Adesão a atas de registro de preços
Três dos quatro contratos foram firmados por meio de adesão a atas de registro de preços, mecanismo que permite a utilização de licitações realizadas por outros órgãos públicos. Esse modelo foi adotado em dois contratos no Pará e em um em Minas Gerais, que juntos somam R$ 661,2 milhões.
No Pará, as contratações utilizaram uma ata de registro de preços do Consórcio Intermunicipal de Saneamento do Paraná (Cispar), de 2022. A mesma ata foi utilizada no contrato da prefeitura de Porto Alegre investigado na Operação Capa Dura.
Em Minas Gerais, a contratação teve como base uma licitação realizada em 2024 pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), vinculada à Secretaria de Educação de São Paulo, também anteriormente comandada por Rossieli Soares.
Outro lado
A reportagem procurou Rossieli Soares, a empresa Fazer Educação e as secretarias de Educação de Minas Gerais e do Pará, mas não houve resposta até a publicação deste texto.
VIA: O Convergente


