O aumento expressivo dos casos de hepatite A em Juiz de Fora levou a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) a iniciar, de forma inédita, a realização de exames laboratoriais para detecção do vírus. A medida tem como objetivo agilizar o diagnóstico e reforçar a resposta da rede pública de saúde diante do avanço da doença no município.
A iniciativa é conduzida pelo Centro Colaborador da Faculdade de Farmácia, que já integra a rede estadual de laboratórios em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Até então, a hepatite A não fazia parte dos exames realizados pela instituição.
Antes da mudança, as amostras coletadas na cidade eram enviadas para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte. Com o aumento da demanda em todo o estado, o tempo de liberação dos resultados passou a comprometer a resposta rápida necessária para o controle da doença.
Diante do cenário local, a Prefeitura de Juiz de Fora acionou a universidade, que passou a atuar em conjunto com o Estado. “Os exames de hepatite A não estavam no escopo do nosso convênio com o Estado. Com o aumento dos casos em Juiz de Fora e da demanda na Funed, o tempo de resposta deixou de atender a necessidade do município, que precisa de resultados mais rápidos para o manejo adequado da doença”, explica o professor Marcelo Silvério.

Atualmente, a UFJF processa entre 20 e 25 amostras por semana. Para viabilizar a nova frente, foi firmada parceria com o Hospital Universitário da UFJF, responsável pela etapa final da análise.
O fluxo envolve triagem das amostras na Faculdade de Farmácia, envio ao hospital para processamento e posterior liberação dos resultados.
Segundo o superintendente do hospital, José Otávio Corrêa, a descentralização dos exames impacta diretamente no atendimento. “Isso impacta diretamente na qualidade do atendimento, possibilitando um diagnóstico mais rápido e um tratamento mais assertivo”, afirma.

A hepatite A é uma infecção viral que afeta o fígado e é transmitida principalmente por via fecal-oral, associada à ingestão de água ou alimentos contaminados e à falta de higiene.
A pesquisadora Tarsila Ribeiro alerta para o cenário no município. “Juiz de Fora vive um aumento expressivo de casos de hepatite A, o que torna fundamental reforçar as medidas de prevenção”, destaca.

Entre os sintomas estão febre, cansaço, náuseas, dor abdominal e icterícia. Em crianças, a doença pode não apresentar sinais, o que contribui para a disseminação. “A hepatite A é autolimitada, mas, em alguns casos, pode evoluir para quadros graves, como falência hepática”, explica.
A vacinação é a principal forma de prevenção, mas parte da população adulta não foi imunizada. Medidas de higiene também são fundamentais. “Como a doença é transmitida por via fecal-oral, a higienização das mãos é fundamental, especialmente após o uso do banheiro e antes de manipular alimentos”, orienta.
*Com informações do Ufjf Notícias


