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Polícia indicia médico após morte de bebê durante cirurgia de fimose em Presidente Figueiredo

Investigação aponta falhas em protocolos de segurança, ausência de estrutura adequada e atuação sem registro de especialista

A Polícia Civil do Amazonas concluiu o inquérito sobre a morte do bebê Pedro Henrique Falcão Soares Lima, de 1 ano e 3 meses, e indiciou o médico Orlando Ignacio Aguirre por homicídio culposo. A criança morreu em dezembro de 2025 durante uma cirurgia de fimose realizada no Hospital Municipal Maternidade Eraldo Neves Falcão, em Presidente Figueiredo.

Pedro Henrique Falcão – Foto: Arquivo pessoal

Segundo as investigações, foram identificadas falhas técnicas, ausência de equipamentos obrigatórios e irregularidades éticas relacionadas ao procedimento realizado na unidade hospitalar.

Entre os pontos apontados pela polícia está a falta de um capnógrafo, equipamento utilizado para monitorar a respiração do paciente durante a anestesia. O inquérito também destaca que a avaliação pré-anestésica obrigatória não teria sido realizada corretamente antes da cirurgia.

A investigação aponta ainda inconsistências em documentos médicos. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) estava sem assinaturas obrigatórias e, segundo a polícia, o próprio médico investigado assinou a Declaração de Óbito da criança.

Outro ponto destacado é que o hospital não teria comunicado oficialmente a morte às autoridades no mesmo dia do ocorrido.

Conforme o inquérito, Orlando Ignacio Aguirre não possuía Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em anestesiologia na data da cirurgia. A polícia informa que um pedido posterior de reconhecimento da especialidade foi negado pelo Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) em março de 2026.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) não conseguiu determinar a causa exata da morte devido ao avançado estado de decomposição do corpo no momento da exumação, realizada cerca de 30 dias após o sepultamento.

A mãe da criança relatou em depoimento que o médico não teria buscado ajuda imediata quando os sinais vitais do bebê começaram a cair, e que ela própria precisou pedir auxílio de um pediatra.

A investigação também aponta que a sala cirúrgica utilizada no procedimento não possuía estrutura adequada para atendimento pediátrico.

O caso agora será analisado pelo Ministério Público do Estado do Amazonas, que decidirá sobre eventual denúncia criminal.

Os advogados da família informaram que pretendem pedir a reclassificação do crime para dolo eventual, sustentando que o médico teria assumido o risco de provocar a morte da criança ao realizar o procedimento sem as condições exigidas.

Após o episódio, o médico deixou o cargo que ocupava no hospital.

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