Manaus viveu uma experiência cultural inusitada na noite desta sexta-feira (15), quando o Cemitério São João Batista, no Centro da cidade, foi transformado em uma grande sala de cinema a céu aberto. O evento “Cinema no Cemitério” reuniu dezenas de pessoas para a exibição do documentário “Etelvina – A Ressignificação da Tragédia”, em uma proposta que misturou arte, memória histórica e reflexão social em um dos espaços mais simbólicos da capital amazonense.
A sessão teve início às 20h e contou com entrada solidária, mediante a doação de 1 quilo de alimento não perecível, destinado a instituições sociais. A iniciativa chamou atenção pelo cenário pouco convencional e pela proposta de ressignificar o espaço do cemitério como ambiente de cultura, debate e preservação da memória coletiva.
O documentário exibido aborda a história de Etelvina de Alencar, assassinada em 1901, cuja trajetória se tornou parte da memória popular de Manaus e está ligada a relatos de devoção e fé no imaginário local. A produção reúne depoimentos, reconstituições ficcionais e pesquisa histórica, propondo uma reflexão sobre violência contra a mulher e os impactos sociais do feminicídio ao longo das gerações.
Dirigido pelo cineasta amazonense Cleinaldo Marinho, o longa foi contemplado pelo edital audiovisual da Lei Paulo Gustavo e teve como proposta ampliar o debate sobre a preservação histórica e a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. A escolha do cemitério como cenário reforçou a relação entre o passado e discussões contemporâneas, provocando no público uma experiência imersiva e reflexiva.
A realização do evento reforça o crescimento de iniciativas culturais alternativas em Manaus, que têm buscado ocupar espaços históricos da cidade com programações artísticas inovadoras, aproximando o público da produção audiovisual amazonense e ampliando o acesso à cultura local.
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