Apontado pelas autoridades como um dos principais operadores do Primeiro Comando da Capital (PCC), Gilberto Aparecido dos Santos, o “Fuminho”, enfrenta um agravamento no quadro de saúde após atraso no diagnóstico e no tratamento de um câncer de próstata, segundo informou a defesa nesta segunda-feira (18).
Os advogados do preso afirmam que houve demora no atendimento médico e classificam a situação clínica como delicada, com risco de avanço da doença para outras partes do corpo.
Defesa relata risco de metástase e falhas no tratamento
Em comunicado assinado pelo advogado Marcelo Luis Marns da Silva, a defesa declarou que Fuminho trava uma “batalha crítica” contra uma neoplasia maligna e alertou para a possibilidade de metástase em órgãos vitais e na estrutura óssea.
Segundo os advogados, o procedimento cirúrgico ocorreu somente após quase nove meses de espera e sucessivas medidas judiciais apresentadas ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).
A defesa sustenta que o atraso comprometeu o tratamento adequado e agravou a condição clínica do detento.
Cirurgia de Fuminho mobilizou forte esquema de segurança em Brasília
A cirurgia oncológica foi realizada no domingo (17), no Hospital Santa Luzia, localizado na Asa Sul, em Brasília.
Por causa da importância de Fuminho dentro da estrutura criminosa ligada ao PCC, a transferência contou com uma megaoperação de segurança envolvendo mais de 200 agentes das forças federais e distritais.
Considerado homem de confiança de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, Fuminho é tratado por investigadores como peça estratégica nas operações internacionais de tráfico de drogas da facção criminosa.
Defesa critica retorno do preso à penitenciária após cirurgia
Apesar da complexidade do procedimento, a defesa questionou a decisão da Penitenciária Federal de Brasília de autorizar o retorno do preso ao sistema prisional cerca de 24 horas após a cirurgia.
Os advogados afirmam que a recomendação médica previa um período mínimo de sete dias de internação para monitoramento pós-operatório.
Ainda de acordo com a defesa, Fuminho deixou o hospital apresentando dores intensas, utilizando cateter e ainda sob efeito de anestesia.
No comunicado, os representantes do preso argumentam que a recuperação em ambiente prisional contraria protocolos médicos e aumenta os riscos de complicações e infecções.
Quem é Fuminho, aliado histórico de Marcola
Mesmo sem ocupar oficialmente uma cadeira na chamada “sintonia final” do PCC, Fuminho é apontado há anos pelas autoridades como um dos integrantes mais influentes da facção.
Investigações da polícia federal e do Ministério Público o relacionam à logística internacional de envio de cocaína para outros países, especialmente rotas ligadas à América do Sul e Europa.
O nome dele também surgiu em apurações sobre supostos planos de fuga de lideranças do PCC e nas investigações sobre as mortes de Gegê do Mangue e Paca, integrantes da facção executados em 2018 durante conflitos internos da organização criminosa.
Defesa pretende acionar tribunais superiores
Os advogados informaram que devem recorrer à Corregedoria da Penitenciária Federal de Brasília, ao TRF1 e a tribunais superiores para tentar assegurar um tratamento médico considerado adequado ao detento.
A defesa argumenta que a permanência de Fuminho no sistema prisional, nas atuais condições, pode comprometer a recuperação e agravar ainda mais o estado de saúde do preso.


