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Com risco de seca severa em 2026, comércio do Amazonas antecipa estoques para evitar prejuízos

Empresários antecipam compras e setor produtivo cobra medidas para reduzir impactos da estiagem prevista para 2026

Mesmo com os rios do Amazonas ainda em período de cheia, o estado já começou a se preparar para um possível cenário de seca severa no segundo semestre de 2026. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (SGB) acendeu o alerta entre autoridades e empresários, principalmente devido aos impactos esperados na navegação e no abastecimento de mercadorias.

A preocupação é resultado das dificuldades enfrentadas durante as últimas estiagens históricas, que provocaram atrasos logísticos, aumento no valor do frete e risco de desabastecimento em Manaus e municípios do interior.

Orla da Manaus Moderna. – Foto: Reprodução/Rede Amazônica

O secretário da Defesa Civil do Amazonas, coronel Francisco Máximo, afirmou que o principal desafio deve atingir o transporte fluvial, considerado a principal rota de abastecimento do estado.

Coronel Francisco Máximo | Foto: Reprodução

Com a possibilidade de rios mais rasos nos próximos meses, empresários já iniciaram a formação antecipada de estoques para evitar prejuízos durante o período mais crítico da estiagem.

A medida também busca impedir aumentos expressivos nos custos de transporte, já que durante secas severas grandes embarcações deixam de navegar em determinados trechos da região amazônica.

Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), em períodos normais, navios vindos do Sudeste levam cerca de 35 dias para chegar a Manaus. Em cenários de seca extrema, esse prazo pode ultrapassar 150 dias.

Fecomercio | Foto: Reprodução

Nesses casos, parte das cargas precisa ser desembarcada em outros estados, como Ceará e Pará, antes de seguir em balsas menores até a capital amazonense.

Além da demora, o modelo gera custos extras para os empresários, incluindo taxas adicionais cobradas durante o período de estiagem.

Diante do cenário, entidades do comércio pedem ao Governo do Amazonas medidas fiscais semelhantes às adotadas em anos anteriores, como o parcelamento do ICMS para empresas que anteciparem compras destinadas à formação de estoque.

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Pinheiro, afirma que o apoio é fundamental para evitar impactos financeiros no setor.

Bruno Pinheiro | Foto: Reprodução

Já a Fecomércio-AM alerta que a necessidade de investir antecipadamente em mercadorias pode comprometer o fluxo de caixa das empresas e afetar até mesmo a geração de empregos.

Em Manaus, algumas empresas já começaram a reforçar estoques para o período de fim de ano. Em uma loja de produtos importados no Centro da capital, cerca de 70% das mercadorias previstas para as vendas de 2026 já foram adquiridas junto a fornecedores asiáticos.

Movimentação no comércio do Centro de Manaus. – Foto: Rede Amazônica

O empresário Erick Bandeira afirma que, apesar dos custos maiores com armazenamento antecipado, a estratégia reduz riscos futuros com fretes elevados e atrasos nas entregas.

A expectativa do setor é que o planejamento antecipado e as medidas de apoio consigam minimizar os impactos de uma possível nova estiagem severa no Amazonas.

*Com informações do G1 Amazonas

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