O sonho da casa própria continua sendo uma das maiores conquistas para milhares de famílias amazonenses. No entanto, o aumento dos golpes imobiliários tem transformado esse objetivo em um verdadeiro pesadelo para muitos compradores.
Nos últimos anos, criminosos passaram a utilizar métodos cada vez mais sofisticados para enganar vítimas durante negociações de compra, venda e aluguel de imóveis. Anúncios falsos, venda de propriedades por pessoas que não são as verdadeiras proprietárias e loteamentos irregulares estão entre as fraudes mais frequentes registradas no estado.
Diante desse cenário, especialistas alertam que a prevenção e a análise criteriosa da documentação continuam sendo as principais armas contra os golpistas.
Golpes imobiliários ficam mais sofisticados
Segundo o especialista em Regularização Imobiliária Rafael Barbosa, as fraudes acompanham a evolução da própria criminalidade e exploram principalmente a falta de conhecimento técnico dos compradores.

“Os golpistas se aproveitam do forte desejo do brasileiro de adquirir um imóvel. Muitas vezes a pessoa acredita estar fazendo um bom negócio e acaba caindo em uma fraude”, explica.
Entre os golpes mais comuns, Rafael destaca a venda de imóveis por falsos proprietários. Nesse tipo de fraude, o criminoso se apresenta como dono do bem, negocia normalmente e chega até a receber pagamentos sem possuir qualquer direito sobre a propriedade.
Outro problema recorrente envolve loteamentos irregulares. Nesses casos, áreas são comercializadas sem os registros e aprovações exigidos pela legislação.
“À primeira vista, o negócio parece vantajoso. Porém, quando os compradores tentam regularizar o lote, descobrem que isso não é possível porque o loteamento foi constituído de forma irregular”, afirma.
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Além disso, anúncios falsos em plataformas digitais também têm feito novas vítimas. Os criminosos costumam oferecer imóveis por valores muito abaixo do mercado para atrair interessados e solicitar pagamentos antecipados.
Vítimas relatam prejuízos
A auxiliar administrativa J.F, de 34 anos, afirma que perdeu R$ 15 mil após acreditar em um anúncio de venda publicado em uma plataforma online.
“O imóvel parecia perfeito e o preço estava muito abaixo dos outros anúncios. O vendedor pediu um sinal para garantir o negócio. Depois do pagamento, ele desapareceu e descobri que a casa nem estava à venda”, relata.
Situação semelhante foi enfrentada pelo motorista C.M, de 42 anos. Ele conta que adquiriu um lote em uma área que prometia futura regularização, mas enfrentou problemas meses depois.
“Quando procurei informações para fazer a documentação, descobri que o loteamento não tinha autorização legal. Foi um prejuízo enorme para minha família”, diz.
A importância de verificar a documentação
De acordo com Rafael Barbosa, o primeiro passo antes de qualquer negociação é confirmar se a pessoa que está vendendo realmente é a proprietária do imóvel.
Para isso, o especialista recomenda solicitar uma certidão atualizada da matrícula junto ao Cartório de Registro de Imóveis.
“É nesse documento que conseguimos visualizar toda a vida do imóvel. Nele aparecem o verdadeiro proprietário, possíveis dívidas, penhoras e restrições judiciais”, explica.
O especialista destaca ainda que a realidade fundiária de Manaus exige atenção redobrada.
“Mais de 80% dos imóveis da cidade ainda apresentam algum tipo de irregularidade registral. Por isso, a orientação é nunca fazer esse processo sozinho e buscar auxílio profissional”, alerta.
Quais documentos devem ser analisados?
Segundo Rafael Barbosa, uma negociação segura exige a análise de um conjunto de documentos.
Entre os principais estão:
- Certidão atualizada da matrícula do imóvel;
- Escritura pública ou título definitivo;
- Certidão de estado civil dos vendedores;
- Certidões negativas de débitos do imóvel;
- Comprovantes de quitação de IPTU;
- Certidões negativas dos vendedores;
- Documentação da construção devidamente averbada.
“Documentação em dia e bem analisada evita problemas futuros e garante maior segurança jurídica para todas as partes envolvidas”, destaca.
O que fazer ao perceber um golpe?
Caso a fraude já tenha ocorrido, a recomendação é agir rapidamente.
O primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência para formalizar o caso e iniciar os procedimentos necessários nas esferas criminal e cível.
Rafael Barbosa ressalta que muitas pessoas ainda insistem em negociações informais baseadas apenas na confiança.
“Precisamos abandonar a cultura do jeitinho. É justamente na informalidade que muitos golpes acontecem. A assessoria especializada desde o início pode evitar grandes prejuízos”, afirma.
O especialista também lembra que nem todo imóvel irregular está perdido.
“Em muitos casos, a propriedade ainda pode ser regularizada. Com orientação técnica adequada, é possível reduzir riscos e encontrar soluções jurídicas seguras.”
Atenção redobrada pode evitar prejuízos
Com a crescente sofisticação das fraudes imobiliárias, especialistas reforçam que a informação e a análise documental continuam sendo as ferramentas mais eficazes para proteger compradores e investidores.
Antes de assinar contratos ou realizar qualquer pagamento, a recomendação é simples: verificar a documentação, confirmar a titularidade do imóvel e buscar orientação profissional. Afinal, quando o assunto é patrimônio, a prevenção ainda é o melhor investimento.


