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Governo do Amazonas intensifica ações contra estiagem e alerta para possível seca severa em 2026

Estado reforça monitoramento climático após previsão de El Niño e prepara medidas para reduzir impactos em municípios e comunidades ribeirinhas

O governador Roberto Cidade coordenou, nesta quarta-feira (17), uma reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos para reforçar as ações de preparação diante da possibilidade de uma estiagem severa no Amazonas durante o segundo semestre de 2026.

Durante o encontro, o Governo do Amazonas, por meio da Defesa Civil, destacou que a formação do fenômeno El Niño pode provocar uma vazante intensa nos rios da região, cenário semelhante ao registrado em 2023, quando o estado enfrentou uma das secas mais severas de sua história recente.

Segundo Roberto Cidade, o planejamento antecipado busca minimizar os impactos para a população, especialmente nas comunidades mais isoladas.

“Estamos nos antecipando à seca deste ano, que será muito próxima à que aconteceu em 2023. Hoje estamos preparados e tomamos medidas para minimizar o sofrimento da nossa população, principalmente nos municípios e comunidades mais distantes”, afirmou o governador.

Prefeitos serão convocados para discutir impactos

Como parte da estratégia de preparação, Roberto Cidade determinou que o comitê convoque prefeitos e secretários municipais de Defesa Civil para apresentar projeções sobre os possíveis impactos do fenômeno climático.

A prioridade será dialogar com os gestores dos 19 municípios considerados mais vulneráveis aos efeitos da estiagem prevista para os próximos meses.

El Niño pode aumentar risco de seca na Amazônia

A preocupação do governo estadual ocorre após a Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicar condições favoráveis para o desenvolvimento de um novo episódio de El Niño no segundo semestre de 2026.

As projeções apontam probabilidade superior a 80% para a formação do fenômeno, que pode permanecer ativo até 2027.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Apesar de ocorrer distante da Amazônia, o fenômeno altera os padrões climáticos globais e costuma provocar redução das chuvas, aumento das temperaturas e prolongamento dos períodos de estiagem na região amazônica.

Estado já decretou emergência climática preventiva

Diante das previsões, o Governo do Amazonas publicou, em 11 de junho, um decreto de Estado de Emergência Climática e Ambiental em caráter preventivo, válido por 180 dias.

A medida busca acelerar ações de prevenção, mitigação e assistência à população antes que os impactos da seca se agravem.

Desde abril, equipes técnicas realizam reuniões de planejamento com órgãos estaduais, municípios e instituições parceiras para definir estratégias de resposta diante do cenário climático.

Navegação e abastecimento podem ser afetados

De acordo com a Defesa Civil, a redução das chuvas pode provocar queda significativa no nível dos rios, afetando diretamente a navegabilidade e o abastecimento de diversas comunidades.

Em muitas regiões do Amazonas, os rios funcionam como principal via de transporte para pessoas, alimentos, combustíveis, medicamentos e mercadorias.

O secretário estadual de Defesa Civil, coronel Clóvis Araújo, ressaltou que a antecipação das medidas busca garantir assistência às populações mais vulneráveis.

“Os rios são as nossas estradas. Quando eles secam, enfrentamos dificuldades para chegar a muitas localidades. Por isso, estamos trabalhando para reduzir os impactos e garantir apoio às comunidades que precisarem”, destacou.

Combate aos incêndios florestais ganha reforço

Além dos impactos sobre os rios, o Governo do Amazonas também monitora o aumento do risco de queimadas e incêndios florestais durante o período de estiagem.

No final de maio, Roberto Cidade lançou a operação Amazonas + Verde e entregou novos equipamentos ao Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) para fortalecer o combate ao fogo.

A ampliação da estrutura operacional inclui o reforço das bases no interior do estado. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios atendidos por unidades permanentes dos bombeiros passou de 11 para 24 cidades, representando crescimento de 118%.

Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz, mais de 800 profissionais atuarão durante o período crítico.

“Nossos eixos de atuação envolvem o combate aos ilícitos ambientais, educação ambiental e ampliação da capacidade de resposta aos incêndios florestais”, afirmou.

Monitoramento ambiental será ampliado

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) também reforçou o monitoramento climático e ambiental.

Segundo o secretário Eduardo Taveira, o governo trabalha em conjunto com municípios, Corpo de Bombeiros e Governo Federal para ampliar o acompanhamento da qualidade do ar e prevenir queimadas ilegais.

Além disso, a população já pode acompanhar informações em tempo real sobre a qualidade do ar por meio de ferramentas digitais disponibilizadas pelo Estado.

Defesa Civil orienta população

Diante da possibilidade de uma estiagem mais intensa, a Defesa Civil orienta os moradores, especialmente das áreas ribeirinhas, a adotarem medidas preventivas.

Entre as recomendações estão:

  • Utilizar a água de forma consciente e manter reservas adequadas para consumo;
  • Planejar a compra de alimentos não perecíveis e medicamentos de uso contínuo;
  • Acompanhar os comunicados dos órgãos oficiais;
  • Evitar queimadas e qualquer uso irregular do fogo;
  • Avaliar alternativas de deslocamento para locais com melhor acesso a serviços essenciais, quando necessário.

O Governo do Amazonas informou que continuará monitorando as condições climáticas e ampliará as ações de prevenção para reduzir os impactos da possível seca severa prevista para o segundo semestre de 2026.

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