A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Veoza (fezolinetanto), primeira terapia não hormonal autorizada no Brasil para o tratamento de sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa. A decisão foi publicada nesta semana e representa um avanço importante para a saúde feminina no país.
Os sintomas vasomotores, popularmente conhecidos como “fogachos”, incluem ondas repentinas de calor, sudorese excessiva e suores noturnos, que podem comprometer o sono, a produtividade e a qualidade de vida das mulheres durante o climatério. Segundo dados apresentados pela fabricante, cerca de 36,2% das brasileiras entre 40 e 65 anos convivem com sintomas moderados a intensos, percentual superior à média global de 15,6%.
Desenvolvido pela farmacêutica Astellas Farma, o medicamento será comercializado no país sob o nome Veoza e surge como uma alternativa para pacientes que possuem contraindicações à terapia hormonal tradicional ou que preferem tratamentos sem hormônios.
Como funciona o novo tratamento
Diferentemente da reposição hormonal, o fezolinetanto atua diretamente no cérebro. O medicamento bloqueia a ação da neurocinina B, substância envolvida no controle da temperatura corporal e que passa a atuar de forma desequilibrada com a redução dos níveis de estrogênio durante a menopausa. Esse mecanismo ajuda a diminuir a frequência e a intensidade das ondas de calor e dos suores noturnos.
De acordo com a Anvisa, estudos clínicos demonstraram que, após quatro semanas de tratamento, houve redução média de 53% no número diário de episódios de calor, além de melhora significativa na intensidade dos sintomas quando comparado ao placebo.
A aprovação do medicamento foi baseada em três ensaios clínicos de fase 3 realizados na Europa, Estados Unidos e Canadá, envolvendo mais de 3 mil mulheres. Os resultados apontaram benefícios consistentes no controle dos sintomas e na qualidade de vida das pacientes.
Especialistas apontam avanço na saúde da mulher
A chegada do Veoza é considerada um marco no tratamento da menopausa por ampliar as opções terapêuticas disponíveis. Atualmente, a terapia de reposição hormonal é considerada o tratamento padrão para os sintomas vasomotores, mas nem todas as mulheres podem utilizá-la devido a condições clínicas específicas.
Especialistas destacam que a nova alternativa pode beneficiar milhares de mulheres que enfrentam impactos físicos e emocionais provocados pelos fogachos, como insônia, fadiga, alterações de humor e dificuldades nas atividades diárias. Apesar do avanço, o medicamento exige prescrição médica e acompanhamento especializado para avaliação individualizada de cada paciente.
Com a aprovação da Anvisa, o Brasil passa a integrar o grupo de países que já disponibilizam terapias não hormonais específicas para o controle dos sintomas da menopausa, ampliando as possibilidades de cuidado e bem-estar para mulheres nessa fase da vida.


