A paixão pelo Boi Caprichoso levou o marinheiro de convés Diego Moraes a encarar um dos maiores desafios de sua vida: remar cerca de 420 quilômetros entre Manaus e Parintins para assistir, pela primeira vez, às apresentações do Festival de Parintins.
A expedição começou no último domingo (21) e tem previsão de chegada nesta sexta-feira (26), justamente na abertura do maior espetáculo folclórico da Amazônia. A viagem é realizada de forma solo, a bordo de um caiaque adaptado especialmente para a ocasião. Originalmente vermelho, o equipamento recebeu um adesivo azul, cor que representa o Caprichoso, antes do início da jornada.
Praticante de canoagem há mais de 15 anos, Diego já realizou outras travessias pelos rios amazônicos, incluindo percursos entre Manaus e Santarém (PA). Segundo ele, a viagem até Parintins representa a união de duas paixões: a navegação e o Festival Folclórico.
Desafio exige preparo e equipamentos de segurança
Ao longo do trajeto pelo Rio Amazonas, Diego enfrenta temperaturas elevadas, longas horas de remada e mudanças nas condições do rio. Para minimizar os riscos, ele leva equipamentos de segurança, como localizador via satélite e sistema de comunicação via internet, permitindo contato constante com familiares durante a expedição.
Outro aspecto que tem marcado a viagem é a solidariedade encontrada pelo caminho. Moradores de comunidades ribeirinhas têm oferecido abrigo, alimentação e apoio logístico ao torcedor, reforçando o espírito de hospitalidade característico dos povos da Amazônia.
Festival movimenta milhares de apaixonados pela cultura amazônica
A história de Diego evidencia o poder de mobilização do Festival Folclórico de Parintins, considerado um dos maiores eventos culturais do Brasil. Realizado anualmente no Bumbódromo, o espetáculo reúne os bois Caprichoso e Garantido em três noites de apresentações que celebram a cultura, os povos originários, a floresta e as tradições amazônicas.
Todos os anos, milhares de turistas desembarcam na Ilha Tupinambarana para acompanhar a disputa, impulsionando a economia local e consolidando o festival como um dos principais patrimônios culturais do país.
Para Diego Moraes, no entanto, a experiência começou muito antes da entrada no Bumbódromo. Cada remada representa uma demonstração de dedicação ao boi azul e uma forma singular de celebrar uma das maiores manifestações culturais da Amazônia.


