O diretor do Instituto Pontual Pesquisa, Eric Barbosa, afirmou que as eleições de 2026 no Amazonas devem ser marcadas por uma combinação de pesquisas eleitorais, articulações políticas, capacidade financeira e influência das estruturas administrativas dos principais grupos políticos do estado. A análise foi feita durante participação no Papo Político Podcast, apresentado por Bryan Dolzane e Victor Savino, no último dia 29 de junho.
Ao comentar o cenário da disputa pelo Governo do Amazonas, Eric destacou que os levantamentos de intenção de voto representam apenas uma parte do processo eleitoral. Segundo ele, diversos fatores passam a influenciar o desempenho dos candidatos ao longo da campanha.
Pesquisas retratam apenas o momento da disputa
Durante a entrevista, Eric Barbosa afirmou que existe um eleitorado que não se identifica nem com a direita nem com a esquerda. Além disso, segundo ele, há um segmento do eleitorado de direita que nem sempre é totalmente captado pelos institutos de pesquisa.
Na avaliação do diretor da Pontual Pesquisa, esse comportamento pode beneficiar nomes como a empresária e professora Maria do Carmo (PL), pré-candidata ao Governo do Amazonas, e o deputado federal Alberto Neto (PL), pré-candidato ao Senado Federal.

“Existe um eleitorado que não quer direita, não quer esquerda, assim como existe um eleitorado de direita que as pesquisas não pegam, não pegam todo o potencial do candidato da direita. Então é muito certo afirmar que a Maria do Carmo possa ter mais intenção de voto em Manaus do que a pesquisa vai pegar, assim como o candidato Alberto Neto”, afirmou.
Interior e estrutura política entram no cálculo eleitoral
Eric Barbosa também avaliou o peso da articulação política no interior do estado. Segundo ele, o senador Omar Aziz (PSD), ex-governador do Amazonas e pré-candidato ao Governo do Estado, reúne uma ampla base de apoio entre prefeitos do interior.
Apesar disso, o pesquisador ressaltou que a quantidade de aliados não é o único fator determinante para o sucesso de uma candidatura.
Para Eric, a manutenção dessa estrutura política exige capacidade financeira para sustentar alianças durante todo o processo eleitoral.
“Se você olhar para o interior, o Omar hoje tem uma composição gigantesca de prefeitos. Mas não é só ter prefeito. Existem questões imponderáveis, como a força financeira. Quanto mais prefeitos no interior, maior também é a necessidade de manter essa estrutura para não perder esses apoios.”
Máquinas públicas também influenciam o cenário
Ao analisar os principais nomes que devem disputar as eleições de 2026, Eric Barbosa afirmou que o poder das estruturas administrativas também deve influenciar a corrida eleitoral.
Ele citou Roberto Cidade (União Brasil), governador do Amazonas e possível candidato à reeleição, destacando a força da máquina estadual.
Também mencionou David Almeida (Avante), ex-prefeito de Manaus e pré-candidato ao Governo do Amazonas, ressaltando o apoio político de Renato Junior (Avante), atual prefeito de Manaus e aliado do grupo político.
Na esfera nacional, Eric ainda citou a aproximação política entre Maria do Carmo e Flávio Bolsonaro (PL), senador e pré-candidato à Presidência da República, como parte das movimentações que podem influenciar o ambiente eleitoral no Amazonas.
“A pesquisa é apenas a primeira tela do jogo”
Durante a entrevista, Eric Barbosa reforçou que os levantamentos eleitorais representam apenas um retrato momentâneo da disputa.
Segundo ele, fatores como alianças partidárias, capacidade financeira, estratégias de campanha, apoio político e estruturas de governo podem alterar significativamente o cenário ao longo dos próximos meses.
“Os números da pesquisa eleitoral são só a primeira tela do jogo. Existe um plano muito maior por trás, que vai sendo construído à medida que as candidaturas se movimentam.”
“Nunca vi uma eleição tão certa e tão volátil”
Ao concluir a análise, Eric Barbosa afirmou que a eleição de 2026 reúne um cenário incomum. Para ele, embora os principais atores políticos já estejam posicionados, ainda há muitas variáveis capazes de modificar o resultado da disputa.
“A gente falou da Maria do Carmo, do Omar, do Roberto Cidade, do David, do Renato Junior. Eu não lembro de uma eleição tão certa e tão volátil como essa que estou vendo agora.”
A declaração sintetiza a avaliação do diretor da Pontual Pesquisa de que, apesar da consolidação dos principais grupos políticos, a sucessão estadual permanece aberta e deverá ser definida por uma série de fatores que vão além dos índices registrados nas pesquisas de intenção de voto.


