Astrônomos da Universidade da Califórnia, Irvine (UC Irvine), anunciaram a descoberta de um novo exoplaneta com características semelhantes às da Terra e potencial para ser habitável. Batizado de GJ 3378b, o planeta está localizado a aproximadamente 25 anos-luz do Sistema Solar e integra um grupo seleto de mundos que despertam o interesse da comunidade científica na busca por ambientes capazes de sustentar vida.
A descoberta foi publicada em 30 de junho na revista científica The Astrophysical Journal e representa mais um avanço na investigação sobre planetas semelhantes ao nosso dentro da Via Láctea.
Segundo os pesquisadores, o GJ 3378b possui cerca de duas vezes o tamanho da Terra e orbita sua estrela hospedeira dentro da chamada zona habitável, região onde a temperatura permite, em tese, a existência de água em estado líquido na superfície — um dos principais requisitos para a vida como é conhecida atualmente.
O que é um exoplaneta?
De acordo com a NASA, um exoplaneta é qualquer planeta localizado fora do Sistema Solar, geralmente orbitando uma estrela diferente do Sol.
No caso do GJ 3378b, sua posição dentro da chamada região “Cachinhos Dourados” (Goldilocks Zone) faz dele um dos candidatos mais promissores para futuras investigações sobre habitabilidade.
Além disso, o estudo indica que planetas semelhantes à Terra podem ser mais comuns nas proximidades do Sistema Solar do que os cientistas imaginavam até então.
Atmosfera pode ser favorável à vida
Embora ainda não exista confirmação de que o planeta possua atmosfera, os pesquisadores afirmam que ele está localizado próximo à chamada “linha costeira cósmica”, uma região em que a radiação da estrela pode preservar ou destruir a atmosfera de um planeta.
Caso exista uma atmosfera estável, ela poderá ter espessura suficiente para manter água líquida, oferecer proteção contra parte da radiação espacial e criar condições favoráveis para processos biológicos.
O professor associado de Astronomia da UC Irvine e autor principal da pesquisa, Paul Robertson, destacou a importância da descoberta.
“É um dos nossos vizinhos cósmicos mais próximos. 25 anos-luz parece uma longa distância, mas a Via Láctea tem cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro, então, sob essa perspectiva, ele é o nosso vizinho de porta.”
Segundo Robertson, o planeta recebe aproximadamente 90% da radiação que a Terra recebe do Sol.
O pesquisador também comparou a espessura ideal de uma atmosfera à de uma maçã.
“Se você reduzisse a Terra ao tamanho de uma maçã, sua atmosfera seria tão espessa quanto a casca da maçã.”
Ele explica que uma atmosfera com essas características poderia permitir a existência de água líquida, oferecer um ambiente respirável e fornecer proteção parcial contra a intensa radiação do espaço.
Descoberta utilizou telescópios nos Estados Unidos
A equipe identificou o novo exoplaneta utilizando instrumentos de alta precisão instalados em dois observatórios norte-americanos.
As observações foram realizadas com o Habitable-zone Planet Finder, instalado no Telescópio Hobby-Eberly, no Observatório McDonald, no Texas, além do Espectrômetro NEID, acoplado ao Telescópio WIYN, no Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona.
Além da equipe da UC Irvine, participaram da pesquisa cientistas da Universidade do Texas em Austin, Schmidt Sciences e Universidade Estadual da Pensilvânia.
O estudo recebeu financiamento da National Science Foundation (NSF) e de programas de pesquisa em astrobiologia da NASA.
Mistério sobre a atmosfera ainda precisa ser resolvido
Apesar do entusiasmo dos pesquisadores, ainda não é possível afirmar que o GJ 3378b seja habitável.
Até o momento, os cientistas não conseguiram confirmar se o planeta possui atmosfera nem determinar sua composição química. Essas respostas dependerão da próxima geração de observatórios espaciais.
Entre eles está o Habitable Worlds Observatory, missão atualmente em desenvolvimento pela NASA e prevista para ser lançada em meados da década de 2040.
A expectativa é que o novo telescópio consiga obter imagens diretas de planetas como o GJ 3378b e identificar sinais da presença de atmosfera, etapa considerada essencial para avaliar o potencial de habitabilidade desses mundos.
Enquanto isso, a descoberta reforça a ideia de que o universo pode abrigar muito mais planetas semelhantes à Terra do que se imaginava, ampliando as perspectivas para futuras pesquisas sobre a existência de vida fora do Sistema Solar.


