O ex-presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad voltou ao centro das atenções internacionais após uma reportagem publicada pelo The New York Times afirmar que o serviço de inteligência de Israel, o Mossad, tentou recrutá-lo para atuar em um eventual processo de mudança de governo no país. Segundo o jornal, a aproximação teria ocorrido ao longo dos últimos anos e se intensificado durante o conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
De acordo com a investigação, Israel via Ahmadinejad como um possível nome para liderar um governo de transição caso o atual regime iraniano fosse derrubado. O plano, segundo o jornal, teria incluído encontros secretos entre representantes do Mossad e o ex-presidente iraniano em países da Europa.
Até o momento, não há confirmação independente das alegações, que se baseiam em fontes anônimas ouvidas pelo jornal americano. Nem o governo de Israel nem o Mossad comentaram oficialmente o conteúdo da reportagem.
Escritório de Ahmadinejad rejeita reportagem
Após a repercussão internacional, o escritório de Mahmoud Ahmadinejad divulgou uma nota negando todas as acusações.
Em comunicado, a equipe do ex-presidente classificou a reportagem como uma narrativa “estilo Hollywood” e afirmou que as informações publicadas pelo The New York Times são “completamente falsas”. O grupo também negou que Ahmadinejad esteja em prisão domiciliar, como citado pela reportagem.
Segundo a nota, o ex-presidente segue realizando normalmente suas atividades e não mantém qualquer vínculo com autoridades israelenses.
Quem é Mahmoud Ahmadinejad
Mahmoud Ahmadinejad presidiu o Irã entre 2005 e 2013. Durante o mandato, ficou conhecido por seu discurso duro contra Israel e o Ocidente, pela defesa do programa nuclear iraniano e por declarações que geraram forte repercussão internacional, incluindo a negação do Holocausto.
Depois de deixar a Presidência, Ahmadinejad passou a enfrentar divergências com setores do establishment político iraniano. Ele tentou disputar novamente a Presidência em 2017, 2021 e 2024, mas teve as candidaturas vetadas pelo Conselho dos Guardiões, órgão responsável por aprovar os candidatos às eleições no país.
Reportagem repercute em meio à tensão regional
A divulgação da investigação ocorre em um momento de forte tensão entre Irã e Israel, poucos meses após o conflito militar que envolveu os dois países e os Estados Unidos.
Até o momento, nenhuma autoridade israelense confirmou oficialmente a existência de uma operação para recrutar Ahmadinejad, e o governo iraniano também não apresentou provas públicas sobre as alegações mencionadas na reportagem. Assim, os fatos confirmados são a publicação da investigação pelo The New York Times e a negativa formal apresentada pelo ex-presidente iraniano.


