O vazamento de estireno registrado no Distrito Industrial de Manaus mobilizou autoridades, levou empresas a suspenderem atividades e colocou a população em alerta para possíveis impactos à saúde. No entanto, um grupo que também pode sofrer com a exposição ao produto químico recebeu pouca atenção nos primeiros desdobramentos da ocorrência: os animais.
Em entrevista exclusiva ao Portal Manaós, a deputada estadual Joana Darc (União Brasil), que também é médica veterinária e presidente da Comissão de Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), alertou que cães, gatos, animais silvestres e aqueles em situação de rua também estão vulneráveis aos efeitos da exposição ao gás.
O acidente ocorreu na última quarta-feira (15), após um superaquecimento em um tanque de estireno em uma indústria do Distrito Industrial. O Corpo de Bombeiros controlou a ocorrência, mas o forte odor foi percebido em diferentes regiões da capital. A Prefeitura de Manaus montou um gabinete de crise e reforçou orientações para que a população evitasse áreas próximas ao local.
VÍDEO | Joana Darc orienta tutores e faz apelo por animais de rua
Em vídeo enviado à redação do Portal Manaós, Joana Darc reforça que os tutores precisam redobrar a atenção com seus animais durante o período de monitoramento da ocorrência.
A parlamentar destaca que cães e gatos podem apresentar sintomas após a exposição ao gás e orienta que qualquer alteração seja avaliada por um médico veterinário. Ela também lembra que o Hospital Público Veterinário do Amazonas está preparado para atender animais que apresentem sinais relacionados à exposição.
Além disso, a deputada faz um apelo para que a população ajude animais em situação de rua, oferecendo abrigo temporário sempre que possível, principalmente nas áreas próximas ao Distrito Industrial.
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Quais sintomas os tutores devem observar?
Segundo Joana Darc, os animais podem apresentar sinais semelhantes aos observados em humanos expostos a substâncias químicas presentes no ar.
“Os tutores devem ficar atentos a sinais como dificuldade para respirar, tosse, espirros, irritação nos olhos, salivação excessiva, vômito, fraqueza ou desorientação. Ao perceber qualquer um desses sintomas, é importante procurar atendimento veterinário o quanto antes”, afirmou.
Ela ressalta que, por ser médica veterinária, acompanha de perto os riscos que esse tipo de exposição representa para os animais domésticos.
Orientação é manter os pets protegidos
A deputada recomenda que moradores das regiões afetadas mantenham os animais em locais protegidos enquanto houver risco relacionado ao vazamento.
Entre as principais orientações estão:
manter cães e gatos em ambiente fechado e protegido;
- evitar passeios desnecessários;
- disponibilizar água limpa constantemente;
- observar mudanças de comportamento;
- procurar atendimento veterinário imediatamente em caso de sintomas.
Ela reforça que o Hospital Público Veterinário do Amazonas está apto a receber animais que necessitem de atendimento.
Animais de rua e fauna silvestre são ainda mais vulneráveis
Durante a entrevista, Joana Darc destacou que os animais em situação de rua e a fauna silvestre enfrentam riscos ainda maiores, já que permanecem expostos ao ambiente contaminado e não contam com alguém para identificar rapidamente possíveis sintomas.

“Eles respiram o mesmo ar, circulam pelo mesmo ambiente e podem sofrer consequências pela exposição.”
A parlamentar também fez um apelo para que a população comunique aos órgãos competentes sempre que identificar animais apresentando sinais de sofrimento.
“Se você puder acolher temporariamente um animal em situação de rua neste momento, faça isso. Esse gesto simples pode salvar uma vida.”
Proteção animal deve fazer parte dos protocolos de emergência
Para Joana Darc, situações como essa evidenciam a necessidade de incluir a causa animal nos planos oficiais de resposta a desastres ambientais.
Ela afirma que, embora os órgãos públicos estejam concentrados em controlar a ocorrência e proteger a população, é preciso ampliar esse olhar para garantir assistência também aos animais.
Como presidente da Comissão de Proteção aos Animais da Aleam, a deputada disponibilizou o contato de sua central para orientar tutores e encaminhar casos que necessitem de apoio.
Central de atendimento: (92) 98145-1111.
Plano de contingência já havia sido apresentado
A deputada revelou que, em 2024, apresentou aos órgãos responsáveis pela Operação Estiagem um Plano de Contingência voltado especificamente à proteção dos animais em situações de emergência.

Segundo ela, o documento foi compartilhado com diversos órgãos públicos e defendia a inclusão da causa animal no planejamento de desastres ambientais.
Agora, com a criação da Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet), Joana Darc acredita que o Amazonas possui uma estrutura mais robusta para consolidar protocolos permanentes de atendimento, resgate e monitoramento da fauna em futuras ocorrências.
Emergência segue em monitoramento
O vazamento mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Prefeitura de Manaus e órgãos ambientais. Apesar de a situação ter sido controlada, as autoridades mantêm o monitoramento da área e seguem orientando a população sobre medidas preventivas. O estireno pode provocar irritação nas vias respiratórias, nos olhos e na pele, motivo pelo qual pessoas e animais devem evitar exposição desnecessária enquanto houver recomendações dos órgãos oficiais.


