A operação montada para controlar o vazamento de monômero de estireno na unidade da Innova, no Distrito Industrial, Zona Sul de Manaus, entrou no quarto dia neste sábado (18). O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) já ultrapassou 60 horas ininterruptas de atuação no local e mantém o resfriamento do tanque onde ocorreu o incidente, além do monitoramento permanente da temperatura e das condições estruturais do reservatório.
Apesar da evolução registrada nas últimas horas, a ocorrência ainda não é considerada encerrada. A emissão de vapores diminuiu significativamente e a fumaça, que era intensa nos primeiros dias, tornou-se praticamente imperceptível. Ainda assim, o odor característico do estireno continua sendo sentido nas imediações da fábrica, o que mantém as equipes em estado de alerta.
Isolamento continua por medida de segurança
Como medida preventiva, permanece interditada uma área de aproximadamente 300 metros ao redor da empresa. O isolamento foi mantido para reduzir riscos enquanto o tanque continua sendo resfriado.
Durante toda a operação, bombeiros utilizam equipamentos a laser para acompanhar a temperatura interna do reservatório. Paralelamente, jatos de água são direcionados para a parte externa da estrutura, estratégia considerada fundamental para evitar um novo aumento de temperatura que possa agravar a situação.
Segundo o Governo do Amazonas, cerca de 35 militares participaram da resposta inicial logo após o acionamento, na quarta-feira (15). Desde então, as equipes trabalham em regime de revezamento para garantir a continuidade da operação.
Entenda como ocorreu o vazamento
O incidente foi registrado às 17h36 de quarta-feira (15), após um aumento anormal da temperatura em um tanque que armazenava monômero de estireno, composto químico utilizado na fabricação de plásticos, borrachas e outros produtos da indústria petroquímica. Conforme as informações divulgadas pela empresa e pelos órgãos de resposta, a elevação térmica provocou a abertura dos dispositivos de segurança do reservatório, liberando vapores da substância.
Desde então, a prioridade das equipes é estabilizar a temperatura do tanque para impedir que o produto volte a apresentar risco de reação.
Fissuras permanecem sob acompanhamento técnico
As inspeções realizadas durante a operação identificaram pequenas fissuras na estrutura externa do reservatório.
De acordo com as informações oficiais, as deformações são consequência do calor extremo registrado durante o incidente. Engenheiros da Innova e especialistas do Corpo de Bombeiros acompanham essas alterações em tempo real para verificar qualquer mudança que possa comprometer a segurança da operação.
Até o momento, não houve confirmação oficial de agravamento das fissuras ou de novos vazamentos de produto líquido.
Mais de 200 pessoas procuraram atendimento médico
Além da mobilização das equipes de emergência, o vazamento também provocou reflexos na rede de saúde.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), até o fim da tarde de sexta-feira (17), 211 pessoas buscaram atendimento em unidades estaduais com sintomas compatíveis com exposição ao estireno.
Outros 147 atendimentos foram registrados em um hospital da rede privada, enquanto 57 pessoas procuraram unidades administradas pela Prefeitura de Manaus.
A SES-AM também confirmou a morte de um homem de 67 anos que deu entrada em uma unidade de saúde após relatar mal-estar. Entretanto, a secretaria informou que o paciente possuía doença respiratória crônica e destacou que não foi constatada relação direta entre o óbito e o vazamento, informação que continua sendo acompanhada pelas autoridades.
Autoridades mantêm monitoramento da ocorrência
Mesmo com a melhora das condições observadas neste sábado, a operação permanece sem previsão oficial de encerramento.
O Corpo de Bombeiros continuará monitorando a temperatura do tanque e a estabilidade da estrutura até que o risco seja completamente eliminado. Paralelamente, os órgãos ambientais e demais autoridades seguem acompanhando o caso para avaliar os impactos do incidente e as medidas adotadas pela empresa durante a emergência.
*Com informações do G1 Amazonas


