A disputa pelas 24 vagas da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) começa a ganhar forma com a organização das chapas e a aproximação das convenções partidárias para as eleições de 2026.
De um lado, deputados estaduais tentam permanecer no Parlamento apoiados na estrutura dos mandatos e nas bases construídas ao longo dos últimos anos. Do outro, vereadores e novos nomes apostam no desejo de renovação de parte do eleitorado.
Entre os parlamentares cotados para disputar a reeleição estão Dr. George Lins, Mário César Filho, Adjuto Afonso, Felipe Souza, Sinésio Campos, Abdala Fraxe, Débora Menezes e Rozenha. Adjuto Afonso exerce atualmente a presidência da Aleam.
Já entre os nomes que buscam chegar à Casa aparecem os vereadores de Manaus Aldenor Lima, Rodrigo Guedes e Professora Jacqueline, além do jornalista Victor Laborda.
Professora Jacqueline chegou a ocupar temporariamente uma cadeira na Aleam como suplente. No entanto, abriu mão da vaga e retornou à Câmara Municipal de Manaus em junho. Reeleita vereadora em 2024, ela exerce o quarto mandato no Legislativo municipal.
Mandato favorece reeleição
Os deputados que já ocupam uma cadeira começam a disputa com vantagens como maior visibilidade, equipes de gabinete, presença nos municípios e ações realizadas por meio de emendas parlamentares.
Para o cientista político Helso Ribeiro, essa estrutura permite aos parlamentares manter contato frequente com determinados grupos e consolidar bases eleitorais.
“Se ele tiver projetos e trabalhos de fato, consegue mostrar isso. De certa forma, fideliza um eleitorado. As emendas direcionadas para determinados grupos também ajudam a fidelizar algum nicho eleitoral”, explicou.
Segundo Helso, o comportamento do eleitor amazonense é heterogêneo. Parte procura novidades, enquanto outra parcela prefere nomes conhecidos ou candidatos que já apresentaram resultados.
“O eleitor amazonense é extremamente heterogêneo em relação às suas escolhas. Sempre tem uma novidade surgindo, mas a experiência aliada a um trabalho feito acaba fazendo com que a renovação não seja tão grande”, afirmou.
O especialista acredita que a próxima legislatura deverá preservar boa parte da atual composição da Aleam.
“Eu apostaria em pouca renovação. Acredito que mais de 60% dos deputados estarão reeleitos”, avaliou.
Os vereadores, porém, entram na disputa com uma vantagem: participaram das eleições municipais de 2024 e ainda mantêm uma lembrança recente entre os eleitores. Para chegar à Aleam, precisarão ampliar suas bases para além dos bairros e segmentos onde já atuam.
Eleitores dividem opiniões
A diferença entre continuidade e renovação também aparece entre os eleitores ouvidos pela reportagem.
O estudante universitário e estagiário Lucas, de 22 anos, pretende apostar em um novo nome. Para ele, parte dos atuais parlamentares está distante das demandas dos jovens.
“Quero alguém com ideias mais modernas e que entenda o que a minha geração está passando”, afirmou.
Lucas diz que observará propostas para educação e primeiro emprego, além do histórico de atuação do candidato.
“Quero ver se ele realmente defende causas ou se só aparece em época de eleição”, acrescentou.
Já a gerente de loja Mariana, de 42 anos, prefere votar em candidatos cujo trabalho já conhece.
“A rotina é muito corrida para ficar apostando no escuro. Se o deputado já fez algo útil pela nossa região, ele leva meu voto de novo. Se não, eu pesquiso alguém que já tenha experiência”, disse.
Para ela, o candidato precisa apresentar projetos para o transporte público e para os postos de saúde, além de explicar como pretende cumprir as promessas.
O aposentado Antônio, de 68 anos, também dá preferência a políticos com trajetória conhecida.
“Já vi muita promessa de gente nova que entra lá e faz igualzinho aos outros. Prefiro confiar em quem já tem bagagem política e que eu sei onde encontrar se precisar cobrar”, declarou.
Antônio considera a saúde pública, os direitos dos aposentados e a conduta do candidato fatores decisivos para definir o voto.
As opiniões refletem o cenário apontado por Helso Ribeiro: enquanto os mais jovens demonstram maior disposição para experimentar novos nomes, eleitores adultos e idosos tendem a valorizar experiência, resultados e relações de confiança.
Baixa lembrança desafia candidatos
Além da disputa entre novos e antigos nomes, os candidatos precisarão enfrentar a baixa lembrança do eleitor sobre os cargos proporcionais.
Nas eleições gerais, as campanhas para presidente e governador costumam concentrar maior atenção. Por isso, muitos eleitores deixam a escolha dos deputados para as últimas semanas.
“Os cargos proporcionais acabam ficando em terceiro ou quarto plano. O eleitor guarda mais facilmente os cargos majoritários, principalmente os do Executivo”, analisou Helso.
As redes sociais podem aumentar a visibilidade, sobretudo entre os jovens. No entanto, o cientista político alerta que número de seguidores não significa, necessariamente, apoio nas urnas.
“As redes sociais são de fundamental importância, mas não basta isso. Ter muitos seguidores não garante que essas pessoas vão votar no candidato”, afirmou.
Nesse cenário, os atuais deputados precisarão mostrar resultados. Os novos concorrentes, por sua vez, terão de transformar visibilidade e desejo de mudança em confiança eleitoral.
A votação mostrará se o eleitor amazonense pretende manter a maior parte da atual composição da Aleam ou abrir espaço para uma renovação mais ampla no Parlamento estadual.


