Após o registro de 16 casos de sarampo no estado de São Paulo, a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) divulgou um alerta para reforçar a importância da vacinação entre os trabalhadores e prevenir a disseminação da doença nos ambientes profissionais.
Segundo a entidade, o Brasil soma 19 casos confirmados de sarampo em 2026. A ANAMT advertiu que locais de trabalho podem favorecer a transmissão do vírus devido ao contato frequente entre profissionais, clientes e usuários dos serviços.
A associação recomendou que empresas adotem medidas para facilitar o acesso dos funcionários à vacinação, como a flexibilização de horários, a realização de ações internas e o encaminhamento dos trabalhadores aos serviços de saúde.
A entidade também defendeu a promoção de campanhas educativas baseadas em evidências científicas, com informações sobre a segurança, a eficácia e a importância coletiva da imunização.
Número de casos aumentou em julho
O balanço citado pela ANAMT é mais recente que a última atualização pública localizada no site do Ministério da Saúde. Em 28 de julho, a pasta informava que o país havia confirmado 14 casos de sarampo em 2026, dos quais 11 integravam um surto ativo em São Paulo e São Bernardo do Campo.
Na ocasião, o ministério recomendou a ampliação da vacinação nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A orientação prevê a imunização de pessoas entre 6 meses e 59 anos durante a Campanha de Multivacinação, realizada entre 3 de agosto e 1º de setembro.
Dados provisórios da Prefeitura de São Paulo apontavam 12 casos confirmados somente entre moradores da capital até 29 de julho. Os registros estavam classificados como importados, isto é, relacionados à introdução do vírus a partir de outros países.
Doença é altamente transmissível
O sarampo é uma doença infecciosa causada por um vírus e apresenta elevada capacidade de transmissão. O contágio ocorre principalmente por meio de secreções respiratórias expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar.
Os sintomas mais comuns incluem febre, manchas avermelhadas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite. Casos suspeitos devem ser comunicados rapidamente aos serviços de saúde para investigação epidemiológica e adoção de medidas de bloqueio.
A Prefeitura de São Paulo orienta que a notificação seja acompanhada da identificação dos contatos do paciente, coleta de exames e realização de bloqueio vacinal seletivo, preferencialmente em até 72 horas.
Vacina está disponível gratuitamente
A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível gratuitamente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Pelo esquema de rotina, pessoas entre 12 meses e 29 anos devem comprovar duas doses. Entre 30 e 59 anos, a recomendação geral é de uma dose. Trabalhadores da saúde, independentemente da idade, devem ter duas doses registradas.
Em áreas com circulação ou risco elevado de transmissão, crianças de 6 a 11 meses podem receber a chamada “dose zero”. A aplicação é adicional e não substitui as doses previstas aos 12 e aos 15 meses.
Brasil recuperou certificação em 2024
O Brasil recuperou, em novembro de 2024, a certificação de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo. A condição significa que não há transmissão contínua e sustentada dentro do território nacional, mas não impede a ocorrência de casos importados ou de surtos localizados.
O Ministério da Saúde ressalta que registros isolados não representam, por si só, a retomada da circulação endêmica. No entanto, demonstram a necessidade de manter coberturas vacinais elevadas para impedir que casos importados iniciem novas cadeias de transmissão.
Para a ANAMT, a atualização da situação vacinal dos trabalhadores deve fazer parte das estratégias de promoção da saúde ocupacional, especialmente em setores com grande circulação de pessoas ou contato direto com o público.


