O aumento do preço do trigo deve chegar às padarias brasileiras, mas o pão francês deve ter um reajuste menor do que a alta registrada na matéria-prima. A estratégia do setor é evitar que o aumento afaste consumidores, principalmente em um cenário de maior procura por produtos mais baratos.
O trigo acumula valorização estimada entre 12% e 15% em 2026, bem acima dos cerca de 5% registrados em anos considerados normais. Como a farinha representa uma parcela importante dos custos das padarias, o aumento reduz a margem de lucro dos estabelecimentos.
A previsão da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) é de que o pão francês tenha uma alta próxima de 4%. Outros produtos, como bolos, doces, pães especiais e itens de confeitaria, podem absorver reajustes maiores.
O motivo é comercial: o pão francês costuma ser um dos principais produtos procurados nas padarias. Manter o preço mais baixo ajuda a preservar o movimento dos estabelecimentos e pode estimular o cliente a comprar outros produtos.
A alta não afeta apenas as padarias. Os moinhos, responsáveis pela produção da farinha, também estão enfrentando custos maiores e dificuldade para repassar todos os aumentos aos compradores.
Em algumas negociações, os reajustes solicitados pelos moinhos não foram aceitos. Como alternativa, empresas reduziram a quantidade de trigo processada e o volume colocado no mercado para tentar evitar perdas financeiras.
Outro ponto de preocupação é a próxima safra brasileira. A redução da área plantada e as condições climáticas no Rio Grande do Sul podem influenciar a quantidade e a qualidade do trigo disponível.
A indústria também acompanha a produção argentina, importante fonte de trigo para o Brasil. A qualidade do cereal é relevante porque diferentes produtos de padaria exigem tipos específicos de farinha.
O cenário dos preços deve ficar mais definido após a próxima colheita. Até lá, os custos do trigo e as dúvidas sobre a oferta podem continuar pressionando o preço da farinha e, consequentemente, dos produtos vendidos nas padarias.
(*)Com informações da Abip e CNN Brasil
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