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Justiça mantém Agropec 2026, mas cobra explicações sobre salários atrasados e gastos da Prefeitura de Careiro Castanho

A decisão foi tomada na terça-feira (11) pela Vara Única da Comarca de Careiro Castanho, após uma ação do Ministério Público do Amazonas (MPAM)

A Justiça do Amazonas autorizou a realização da Agropec 2026, em Careiro Castanho, entre os dias 10 e 12 de setembro, mas determinou que a prefeitura apresente detalhes sobre as contas do município, incluindo possíveis salários atrasados, dívidas com fornecedores e os gastos previstos para o evento.

A decisão foi tomada na terça-feira (11) pela Vara Única da Comarca de Careiro Castanho, após uma ação do Ministério Público do Amazonas (MPAM) contra a Prefeitura e a prefeita Mara Alves. O processo aponta um quadro de problemas financeiros e falta de transparência na administração municipal.

Segundo o Ministério Público, servidores municipais e o Sindicato dos Funcionários Públicos do Município de Careiro (Sindfurpc) apresentaram reclamações sobre atrasos no pagamento de salários e dificuldades da prefeitura para quitar débitos com fornecedores.

Ao analisar o caso, a Justiça considerou que os problemas não seriam pontuais e apontou indícios de uma situação prolongada de desorganização administrativa. A decisão também considerou insuficientes documentos apresentados pela prefeitura para comprovar a regularização dos pagamentos.

Entre os problemas apontados está a apresentação de comprovantes de transferências entre contas do próprio município, sem documentos que comprovassem individualmente o depósito dos salários nas contas dos servidores. Em relação aos fornecedores, alguns registros apresentados ainda indicavam pendências.

Prefeitura terá 20 dias para apresentar documentos

A Prefeitura de Careiro Castanho e a prefeita Mara Alves terão 20 dias, sem possibilidade de prorrogação, para apresentar à Justiça uma série de documentos sobre as finanças municipais e a realização da Agropec.

A administração terá que detalhar quanto será gasto no evento e apresentar contratos, empenhos e demais documentos relacionados a itens como palco, iluminação, som, painéis de LED, geradores, segurança, brigada de incêndio e transporte dos artistas.

Também deverá entregar a relação completa da folha de pagamento de servidores ativos e inativos, acompanhada dos comprovantes bancários de pagamento de cada funcionário referentes a 2026.

A Justiça ainda determinou que o município apresente a relação atualizada de dívidas e restos a pagar, com os valores pendentes e eventuais renegociações com fornecedores.

Outro ponto da decisão é a apresentação de um calendário oficial para o pagamento dos servidores.

Prefeita pode ser multada

Caso a determinação não seja cumprida dentro do prazo, a prefeita Mara Alves poderá ser responsabilizada pessoalmente com uma multa diária de R$ 5 mil.

A decisão também prevê a possibilidade de medidas mais severas caso haja resistência deliberada, ocultação de documentos ou descumprimento da ordem judicial. Entre as medidas que podem ser analisadas está o afastamento cautelar da prefeita, além da eventual apuração de improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Apesar das cobranças, a Justiça decidiu não suspender a Agropec 2026. A realização do evento, no entanto, não interrompe a investigação sobre a situação financeira do município nem a obrigação da prefeitura de prestar contas sobre os recursos públicos utilizados.

(*)Com informações da Assessoria

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