O senador Flávio Bolsonaro (PL) chorou durante um culto de Dia dos Pais realizado no domingo (9), na Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo. A cerimônia também contou com a presença do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha.
O momento foi registrado durante a transmissão da celebração e divulgado nas redes sociais. No culto, Flávio falou sobre relações familiares e pediu que pais e filhos superassem desentendimentos.
Segundo reportagem do UOL, o senador se emocionou enquanto abordava a importância da convivência entre familiares. A cerimônia ocorreu justamente no Dia dos Pais, período em que Flávio estava impedido por decisão judicial de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da coincidência, o senador não afirmou durante o culto que o choro tivesse relação direta com a impossibilidade de encontrar o pai.
Restrição de visitas
Flávio teve a autorização para visitar Jair Bolsonaro suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A restrição foi determinada após o senador divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente. A medida estabeleceu a suspensão da visita de Flávio por 90 dias.
O episódio ocorreu em meio às restrições judiciais impostas ao ex-presidente e às movimentações políticas de Flávio para as eleições de 2026.
Eduardo Cunha participa da celebração
Outro nome político presente no culto foi Eduardo Cunha, que comandou a Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016.
Cunha vem aumentando sua presença em eventos religiosos e pretende retornar à Câmara nas eleições deste ano, com uma candidatura por Minas Gerais.
A presença dos dois na mesma celebração ocorre também em um momento de aproximação entre Flávio e segmentos do eleitorado evangélico, considerado estratégico na disputa presidencial.
O culto foi promovido pela Igreja Mundial do Poder de Deus, denominação comandada pelo apóstolo Valdemiro Santiago.
Valdemiro foi alvo de polêmica na pandemia
Durante a pandemia de Covid-19, Valdemiro Santiago tornou-se alvo de uma controvérsia envolvendo vídeos que associavam sementes de feijão distribuídas pela igreja à cura da doença.
Na época, órgãos públicos alertaram que não existiam evidências científicas de que as sementes pudessem prevenir ou tratar a Covid-19.
Posteriormente, porém, uma investigação criminal apontou problemas no material utilizado para sustentar a acusação. Em 2022, o Ministério Público de São Paulo pediu o arquivamento do inquérito após perícia apontar edição fraudulenta em vídeos e ausência de elementos suficientes para afirmar que Valdemiro havia vendido sementes prometendo a cura da doença.
Por isso, a alegação de que o religioso teria “vendido feijões para curar a Covid-19” exige essa contextualização ao ser mencionada.
Movimento em direção ao eleitorado evangélico
A passagem pela Igreja Mundial ocorre durante uma fase de intensificação das agendas de Flávio Bolsonaro com lideranças e comunidades evangélicas.
O senador teve a candidatura à Presidência oficializada pelo PL em julho e busca consolidar apoio entre setores que historicamente estiveram próximos do bolsonarismo.
A presença de Eduardo Cunha no mesmo culto acrescentou um componente político à celebração, especialmente diante das movimentações dos dois para as eleições de outubro.


