O homem apontado como principal suspeito da chacina que deixou três pessoas mortas e uma mulher gravemente ferida no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus, foi preso no fim da tarde de segunda-feira (17). Após ser levado à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Ezenilson Silva de Sousa confessou envolvimento no crime e apresentou à polícia uma versão para a motivação do ataque.
Segundo o delegado Ricardo Cunha, titular da DEHS, Ezenilson afirmou que possuía uma dívida de aproximadamente R$ 16 mil com agiotas e teria procurado o pastor Francisco das Chagas Moraes, uma das vítimas, para pedir dinheiro. Francisco, que segundo a investigação já teria ajudado o suspeito financeiramente em outras ocasiões e era ex-sogro dele, recusou um novo pedido.
A negativa, conforme a versão relatada pelo suspeito aos investigadores, teria desencadeado uma discussão dentro da residência. Ezenilson teria então atacado Francisco. As outras pessoas que estavam no imóvel teriam acordado com a movimentação e também acabaram sendo atacadas.
Suspeito diz ter usado martelo
As primeiras informações divulgadas ainda durante o atendimento da ocorrência apontavam que as vítimas apresentavam ferimentos provocados por uma arma branca ou objeto perfurocortante. Com o avanço das investigações, no entanto, surgiu uma nova informação.
De acordo com o delegado Ricardo Cunha, Ezenilson afirmou ter usado um martelo para cometer os crimes. Após o ataque, o suspeito disse ter jogado o objeto em um igarapé próximo ao local. A dinâmica completa e as circunstâncias dos homicídios continuam sendo apuradas pela Polícia Civil.
Família ajudou polícia a chegar ao suspeito
A prisão ocorreu poucas horas depois da descoberta dos corpos. Uma familiar encontrou, em uma área de mata próxima à residência, uma peça de roupa que seria semelhante à utilizada por Ezenilson no dia do crime e acionou a polícia.
Familiares também relataram ter encontrado outros vestígios durante as buscas e passaram a desconfiar do homem. A partir das informações repassadas, agentes da DEHS chegaram ao suspeito, que foi conduzido à unidade especializada.
Na delegacia, segundo as informações divulgadas pelo titular da DEHS, ele passou a colaborar com os investigadores e relatou como o ataque teria ocorrido. O depoimento, entretanto, ainda será confrontado com os elementos colhidos pela perícia e com as demais evidências da investigação.
Três pessoas morreram dentro da casa
O crime foi descoberto na manhã de segunda-feira (17), em uma residência na região da avenida São Jorge. Equipes de segurança encontraram três pessoas mortas em diferentes pontos do imóvel e uma quarta vítima ainda com vida.
As vítimas fatais foram identificadas como:
- Francisco das Chagas Moraes, pastor;
- Isabella Coelho Moraes, filha de Francisco e descrita por familiares como pessoa com deficiência;
- Guilherme Pereira Lima Filho, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Dilma Cilene Lima Sampaio foi encontrada ferida, recebeu os primeiros atendimentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhada ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio. Ela apresentava um ferimento na região da cabeça e passou por procedimento cirúrgico.
Alguns portais chegaram a divulgar, ainda na segunda-feira, que Dilma teria morrido no hospital. No entanto, atualizações posteriores de fontes policiais e de veículos que consultaram a área de Saúde continuaram tratando-a como sobrevivente. Até a última atualização consultada para esta reportagem, não havia confirmação oficial de óbito.
Professor da Ufam estava entre as vítimas
Uma das vítimas, Guilherme Pereira Lima Filho, possuía uma trajetória de mais de três décadas ligada à Universidade Federal do Amazonas.
Em nota oficial de pesar, a Ufam informou que Guilherme ingressou como docente da instituição em 1992. Ele era licenciado em Pedagogia pela própria universidade desde 1988, mestre em Engenharia de Produção e doutor em Ciências da Educação. Também possuía especializações em produção de materiais didáticos para educação a distância e em Metodologia do Ensino Superior.
A atuação acadêmica do professor abrangia formação inicial e continuada de professores, tecnologia assistiva, mediação pedagógica, tecnologias aplicadas à educação e popularização da ciência e da tecnologia. A universidade destacou ainda a dedicação do docente ao ensino, à extensão e à formação de professores.
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Primeiras informações divergiram
A apuração do caso passou por mudanças ao longo de segunda-feira. Nas primeiras horas, havia relatos sobre a possibilidade de mais de um invasor e de utilização de arma branca. Após a prisão, a linha apresentada pela DEHS passou a apontar para a atuação de Ezenilson e para o uso de um martelo, conforme a versão confessada pelo próprio suspeito.
Também houve divergências entre veículos sobre as idades das vítimas e sobre o estado de saúde de Dilma. Por esse motivo, esta reportagem prioriza os dados coincidentes nas fontes consultadas e as informações atribuídas diretamente à Polícia Civil, à Secretaria de Estado de Saúde e à Universidade Federal do Amazonas.
Investigação continua
A Polícia Civil ainda trabalha para reconstituir toda a sequência do crime, confrontar o depoimento do suspeito com as provas periciais e esclarecer se houve participação de outras pessoas.
A DEHS anunciou que novos detalhes sobre a prisão, a motivação e a dinâmica dos homicídios serão apresentados nesta terça-feira (18) pelo delegado Ricardo Cunha. Ezenilson permanece à disposição da Justiça.


